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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A vida no tempo dos nossos avós

Já vimos como era a vida dos moleiros e dos pastores em Póvoa de Rio de Moinhos. Nesta freguesia rural, do interior, a maioria das pessoas vivia do campo e do que ele produzia.

A Póvoa está rodeada de um labirinto de quelhas, em pedra, que ladeiam caminhos que levam às hortas.Quase todas as famílias tinham uma horta onde cultivavam couves e alfaces, feijão, cebolas e batatas, religiosamente guardadas para no Inverno poderem sobreviver. Estas quelhas que levam às hortas deviam ser preservadas, mas a pouco e pouco estão a ser destruídas. No tempo da apanha da azeitona organizavam-se ‘camaradas’, conjunto de homens e mulheres que trabalhavam para as casas grandes: José da Fonseca, Martinho Dias, D.Antónia, etc.

A partir da primavera e sobretudo no tempo das colheitas, um rancho de mulheres, as ‘terceiras’, trabalhavam também para aquelas casas. Chamavam-se assim, porque recebiam um terço das colheitas (milho, feijão, etc). No verão ouviam-se os cantares nas eiras, por altura das desfolhadas do milho e do malhar do feijão.

As pequenas hortas, era preciso regá-las, por causa do calor que tudo secava. A água dos poços era tirada à picota, com um caldeiro. Quando o verão era muito sêco, até o chafariz secava e era preciso acumular a água do poço, de mergulho, ao lado da bica, para ter água para beber em casa.

Havia algumas profissões que resolviam os problemas quotidianos.

O tio Zé Lino era ferreiro e a sua forja ficava no fundo da Quelhinha do Reduto, nome que lembra qualquer lugar do antigamente onde, em caso de perigo, a população teria que recolher-se e defender-se. Na forja, eram afiadas as ferramentas da agricultura: picaretas, sachos e outros. Este homem vivia numa casa próximo da forja, que ainda hoje ostenta numa janela, uma pedra com a seguinte inscrição: “No ano de 1575 vale o pão a cruzado” . Para registar este facto, era porque o valor era alto e quem o fez, pretendia chamar a atenção dos vindouros, para a carestia da vida e a pouca comida que nem a todos chegava.

O tio António Domingos era pedreiro. Eu diria que era mais escultor que pedreiro: deixou-nos uma jóia feita por si, que é o escudo que está por cima da entrada principal da escola primária.

O barbeiro, cortava o cabelo e as barbas, mas também arrancava dentes. Dava injecções e também curava feridas ligeiras.

Quando chegava a altura das vindimas, durante o mês de Setembro, conforme os anos, era necessário preparar as vasilhas para receber o vinho. O Chapoula sempre foi uma figura emblemática da Póvoa. Era ele que preparava as dornas, os pipos e outros artefactos necessários à fabricação do vinho. Era inclinado aos copos e quando estava com eles, entrava em delírio. Como tinha sido militar em Coimbra percorria as ruas a fazer discursos que terminavam sempre assim: “General de Coimbra, ó clarim, toca a formar”. Discursava bem e quando havia procissões, lá ía ele também a fazer discursos. Um dia fez tantas ou tão poucas na procissão, que o sacristão teve de o fechar na torre da Igreja. Não reparou o sacristão que lá dentro havia uma escada das da azeitona. O Chapoula viu logo o furo: agarrou nela, pulou para a plataforma do sino, saiu para a rua pela porta da Igreja. Quando todos caminhavam devotamente na procissão, lá apareceu ele outra vez.

Sempre que se aproximava a época das vindimas, deixava de beber e resolvia a maior parte dos problemas dos seus clientes.

A roupa doméstica era lavada nas ribeiras e posta a corar ao sol, que substituia os detergentes. O sol quente de Julho e Agosto queimava, mas como me referiu um velho, “ dizem que o sol queima/ mas o sol dá linda côr/ nunca vi criar à sombra/ coisa de grande valor”. Também ele entrava na rotina do crescimento da natureza.

Além do Padre e do Professor havia também o Regedor, para manter a autoridade e a ordem. Às vezes havia a sua zaragata e uns copitos a mais não davam bom resultado. Os homens, no Domingo, jogavam “às malhas”. Duas equipas tentavam derrubar os pinos postos a alguma distância. Quem mais pontuasse, ganhava. Tudo terminava na taberna, para brindar à saúde dos que ganhavam e dos que perdiam. Havia duas ou três tabernas, lugar de encontro e troca de informaçôes sobre a vida da aldeia. Assim corria a vida no tempo dos nossos avós.

Para alguns, contudo, a vida não era fácil e para esses a solução encontrava-se na emigração.

José Antunes Leitão


Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=202&id=16972&idSeccao=2129&Action=noticia

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As capelas de S. Sebastião e de Nossa Senhora da Conceição

Na ronda dos templos situados no próprio núcleo urbano e que, ao longo dos séculos, foram objecto de culto pelas gentes da Póvoa, resta-nos referir a capela de S. Sebastião e a de Nossa Senhora da Conceição.

A primeira, a de S. Sebastião, é certamente muito antiga e insere-se na devoção, de forte tradição na cristandade ocidental, dos fiéis se entregarem à protecção deste militar, santo e mártir, nas situações de maior calamidade colectiva – nas de fome, de peste ou de guerra. Como era costume, e a comprovam as palavras do padre-cura de 1758 informando que “era contígua ao povo”, a capela erguia-se como uma guarda avançada à entrada da povoação assinalando-nos, hoje, os seus limites de então. Podia qualquer outro cura dizer, em 1819, como havia uma confraria de evocação do seu nome (registada na documentação da Câmara Eclesiástica do Bispado de Castelo Branco) que administrava um foro com um rendimento de 35 réis, além de haver ainda a designação “Chão do Santo” identificativa de bens fundiários que lhe pertenciam.

Podia também algum dos párocos testemunhar que, em finais do século XIX e inícios do XX, persistia na comunidade a inegável popularidade do santo, revelada na linguagem corrente pela substituição do nome oficial de Rua de S. Sebastião por “Rua do Mártir “. Hoje, S. Sebastião, é a capela mortuária onde famílias e vizinhos se encontram para prestar as últimas homenagens aos seus e é ainda nela que se guarda a imagem que nas procissões é colocada num andor e transportada ao longo do percurso, por promessa ou simples devoção, por grupos inteiramente femininos.

A segunda, a capela privada de Nossa Senhora da Conceição, insere-se numa outra tradição também ela cara aos Portugueses. Remonta, com probabilidade, aos inícios da nacionalidade e, com certeza, à devoção a Nossa Senhora por parte do Santo Contestável Nuno de Santa Maria e seus descendentes, os duques de Bragança que, no século XVII, a proclamaram Padroeira da Nação Portuguesa. Esta nossa da Póvoa, que vem referida na obra Culto Marial da Diocese de Portalegre citada pelo Padre José do Vale Carvalheira, “Nossa Senhora na História e na Devoção do Povo Português”, remete para a definição do dogma da Imaculada Conceição pelo papa Pio IX. A proclamação, em 8 de Dezembro de 1854, despoletou um movimento devocional mariano em que se pode incluir a consagração da Capela.

Anteriormente, em 1818, o juiz desembargador Alexandre Duarte Marques Carrilho, natural de Póvoa de Rio de Moinhos e ligado por laços matrimoniais à família Silva Castel-Branco, obtivera autorização para instituir um oratório na sua casa da Rua do Santo. Esta residência foi perdendo o estatuto de casa principal da família que, entretanto, preferira a Rua do Fundo, Em meados do século, nas vésperas da ordenação de um dos filhos da casa, António Luciano da Fonseca, este recebe dos pais, entre outros bens para constituir património, parte de “umas casas na Rua do Fundo”. Em 1874, já habilitado com ordens sacras, o referido Padre António Luciano da Fonseca, pede ao vigário-geral do bispado de Castelo Branco que delegue no reverendo pároco da freguesia autorização para a benção da capela que edificou junto da casa de sua residência e dedicada à Virgem Santíssima Nossa Senhora da Conceição.

A Capela, que passou para os descendentes do seu irmão, Francisco António da Fonseca Castel-Branco, teve capelão privativo e missa dominical até meados da década de 1960 e (privilégio raro) o Santíssimo Sacramento até Fevereiro de 1969. Nela decorreram actos religiosos de grande significado não só para a família sua proprietária mas também para o conjunto das pessoas da terra. Como exemplo pode referir-se uma saída de procissão nocturna do Lausperene em direcção à Igreja Matriz. Foi, em 17 de Março de 1957, noticiada pela Reconquista que salienta a beleza do percurso enfeitado com verduras e iluminado pelas velas dos fiéis.

Benedicta Maria Duque


Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=198&id=16450&idSeccao=2074&Action=noticia

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Santuário da Senhora da Encarnação

Não investiguei ainda as origens da capela da Senhora da Encarnação. Quem eventualmente conhecer outros elementos sobre ela, agradeço que me faça chegar as respectivas informações.

Hoje gostaria apenas de comentar, as referências que da dita capela constam do livro “Santuário Mariano”. História das imagens milagrosamente aparecidas, que se veneram nos bispados da Guarda, Lamego, Leiria e Portalegre.

É seu autor Frei Agostinho de Santa Maria, nascido em Estremoz, 1642. Professou na Ordem dos Agostinhos Descalços em 1664. Usou no mundo o nome de Manuel Gomes Freire e era filho de António Pereira e Catarina Gomes.

Compôs diversas obras originais, sendo o “Santuário Mariano” uma das mais conhecidas e traduziu outras do latim.

Aqui reuniu um sem fim de notícias sobre o culto de N. Senhora em Portugal, na Índia, em África, Brasil e Filipinas.

As notícias recolhidas neste livro têm muito de fantasioso mas, por outro lado, dão-nos descrições interessantes dos locais a que se referem. Assim acontece no caso da Senhora da Encarnação. Diz a certa altura: “Entre os lugares de Póvoa e Tinalhas, termo da Vila de S.Vicente da Beira, à distância de duas léguas da mesma vila, se vê o Santuário milagroso da Senhora da Encarnação, aonde todos aqueles povos concorrem, com grande devoção e frequência, a venerar uma milagrosa imagem da Mãe de Deus, que com o título deste soberano mistério, é naquela casa referenciado, pelo qual o poder divino obra muitos milagres e maravilhas”.

Acrescenta que fez todas as diligências junto do Pároco, Padre Martinho Gonçalves Torrão, para saber as origens da Imagem, sem que tal tenha acontecido.

Refere ainda que a capela tinha muitos quadros antigos, testemunhando milagres alcançados pelas pessoas que aqui acorriam.

Mais adiante acrescenta: “É esta imagem de roca e vestidos, tem cinco palmos de estatura, o meio corpo é de madeira com braços de engonço e está com as mãos levantadas mas é de grande magestade e soberania e assim infunde não só grande respeito, mas muita vocação.

A ermida, acrescenta ainda, fica situada em um alegre e delicioso lugar, cercado de vinhas e pomares. Tem ermitão que cuida dos asseio e ornato do seu altar e tem casas de romagem onde os devotos da Senhora vão a ter as suas novenas”. Termina dizendo que “são Padroeiros da Casa da Senhora da Encarnação, os moradores do lugar da Póvoa, donde dista pouco mais de dois tiros de mosquete. E eles são os que apresentam o Capelão e o Ermitão.

Festejam a Senhora da Encarnação na segunda oitava da Páscoa da Ressurreição, com missa cantada e sermão e este dia é de muito grande concurso das romagens.

Aqui temos um quadro descritivo do que foi a capela da Senhora da Encarnação e o seu ambiente no tempo de Frei Agostinho de Santa Maria.

Hoje, com o abandono dos campos e das tradições religiosas e populares que acompanhavam o mundo rural, podemos verificar como as coisas estão diferentes.

Restam-nos uma celebração religiosa por alturas da Páscoa e ainda, até há bem pouco tempo, um costume local de “dar as alvíssaras à Senhora” na madrugada da Ressurreição, uma Aleluia bem popular.

Teve esta capela alguma concorrência mais forte nos tempos em que os emigrantes espalhados pela Europa vinham passar à sua Terra Natal, as férias de Verão. Hoje, é num ambiente diferente que se realiza ainda a romagem da Páscoa, seguida da Procissão e merendas debaixo das sobreiras que rodeiam o local.

Nota: Os dados acima referidos constam do livro intitulado “Santuário Mariano” de Frei A. de Santa Maria, Tomo III, pág63-65. Editado em Lisboa em 1711, na oficina de António Pedroso Galrame.

José Antunes Leitão

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=196&id=16120&idSeccao=2047&Action=noticia

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Irmandade das Almas

Pelas informações colhidas nas Memórias Paroquiais pombalinas de 1758, referidas na peça anterior, verificámos que a Póvoa de Rio de Moinhos, nesta data, tinha duas irmandades: “uma do Senhor e outra das Almas”.

É desta última que queremos dar conta, inserindo-a na devoção às Almas do Purgatório, muito querida nesta tão antiga povoação, certamente revitalizada pela reforma tridentina.

Recorde-se que o concílio de Trento, no séc. XVI, ao definir a doutrina do Purgatório, proclamou a sua existência, acrescentando que as almas ali retidas, podem ser ajudadas pelo sufrágio dos fiéis. Deste modo, ordenou-se aos bispos conciliares que esta devoção fosse acreditada, mantida e ensinada em toda a cristandade.

Relativamente às irmandades medievais, como sabemos, era uma forma de organização para fomentar a solidariedade social. Tanto cuidavam dos vivos, como zelavam pelos defuntos. Para objecto do nosso estudo, focaremos apenas o segundo aspecto.

A relação entre os vivos e os mortos, segundo a fé dos fiéis, não termina com o falecimento das pessoas da comunidade. Estas continuam bem próximas, até quase fisicamente, dado que os cemitérios eram em redor das igrejas ou mesmo dentro delas, até ao séc. XIX.

Se a Irmandade das Almas da Póvoa já é constatada em 1758, nada sabemos ao certo da data do seu início. Mesmo a documentação hoje guardada na igreja matriz de S. Lourenço, apenas nos esclarece, acerca da sua vida, a partir de 1859, faz agora 150 anos.

Pelos dados apurados nos dois livros da Irmandade, consultados na igreja matriz, ficamos a saber que havia uma jóia de 600 réis para a adesão e uma quota anual de 50 réis.

Os Irmãos atingiam nesta altura, meados do séc. XIX, as três dezenas. No início do séc. XX, este número subiria para as seis dezenas, atingindo a quota anual, dois escudos. Este valor manteve-se praticamente inalterado até que, em 1977, foi elevado para os cinco escudos. Só que, nesta altura, o número de irmãos já era escasso, apenas três dezenas. A Irmandade foi assim perdendo fôlego, vindo mesmo a extinguir-se em finais da década de setenta. Nos últimos anos, já eram os párocos que ainda iam tentando manter os poucos Irmãos, chegando a ter de executar a cobrança das quotas.

Seja como tenha sido, a Irmandade, enquanto existiu, procurou desenvolver algumas actividades relacionadas com o sufrágio pelos Irmãos falecidos e ainda pelas Almas do Purgatório. Assim, nos primeiros Domingos do mês, a “Missa das Almas”, às oito horas da manhã, era celebrada por intenção dos Irmãos falecidos. Por altura da Quaresma, a Irmandade mandava celebrar um “Ofício” pelas almas, ficando a seu cargo as despesas do mesmo. Além das quotas do Irmãos, encontrava-se na igreja Matriz uma “Caixa das Almas”, cujo produto revertia para o mesmo fim. Com as contribuições ainda hoje aqui depositadas, se celebraram cinco missas neste ano. No fundo, trata-se de uma continuação informal das antiga Irmandade.

A Confraria das Almas da Póvoa, como era habitual, possuía a sua Bandeira, ostentada nos funerais dos Irmãos falecidos, pintada com gosto muito popular nas duas faces. Numa, encontra-se a figura de S. Miguel, com a balança e as Almas do Purgatório, rogando a seus pés. Na outra, uma Pietá. Cristo morto, envolvido no regaço de Maria. Depois de recuperada e restaurada pelo actual pároco, padre José Varão, esta bandeira encontra-se hoje emoldurada nas paredes laterais do interior da Matriz.

A Irmandade zelava ainda pelo Nicho das Almas que se encontra na estrada principal, na entrada da povoação, a seguir à ponte do rio. Trata-se de um belo oratório em granito, incrustado num muro, ostentando por cima uma rendilhada cruz de ferro forjado. No interior do nicho, um azulejo policromado de Nossa Senhora do Carmo, com túnica castanha e manto amarelo. O Menino está vestido de rosa e ostenta, com Nossa Senhora, um escapulário.

Outra iniciativa quaresmal, desenvolvida pela Irmandade das Almas, consiste no cantar da Encomendação das Almas, ao longo da quadra quaresmal.

Segundo a tradição, este ritual inicia-se na primeira sexta-feira da Quaresma e canta-se no mesmo dia da semana, até à Sexta - Feira Santa.

Esta iniciativa ainda hoje é mantida, graças à participação de um grupo de senhoras, formado por Maria Carolina Barata, 1ª voz, acompanhada por Virgínia Freire Pinto, as irmãs Maria dos Anjos e Amélia Martinho e ainda Maria de Fátima Barata Duarte e Emília Marques. Este ritual inicia-se às onze horas da noite, junto ao cruzeiro da igreja, percorrendo de seguida alguns lugares mais altos da freguesia, como o Largo da Praça, a rua da Fonte, a rua das Escadas do Outeiro...

Este cântico começa pela seguinte súplica:

“Eu vos peço, oh Irmãos meus/ Um Pai Nosso e uma Avé - Maria/ Pelas Almas do Purgatório/Pelo Divino amor de Deus”.

Esta Encomendação, a caixa das almas da igreja e as missas celebradas por intenção das mesmas, prolongam ainda hoje, embora de um modo informal, o essencial da Irmandade que era manter os laços de solidariedade entre os vivos e os seus entes queridos, já falecidos.

Florentino Beirão


Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=194&id=15877&idSeccao=2020&Action=noticia

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A Igreja Paroquial

A Igreja da Póvoa nasceu da divisão da paróquia medieval de S. Vicente, cuja área coincidia inicialmente com a do concelho. Desconhecemos a data em que foi criada, mas sabemos seguramente ter sido antes do reinado de D. João II (1481-1495).

Em 1709, o vigário de S. Vicente registou, por escrito, os usos e costumes da Igreja Matriz de S. Vicente da Beira (1). Escreveu que, segundo uns autos de visita realizada à igreja de S. Vicente, em 1539, «Na Póvoa de Rio de Moinhos, havia um capelão posto alternativamente pelo comendador e prior, com obrigação de dizer missa aos domingos e festas e administrar os sacramentos.» O mesmo documento informa que essa situação já vinha do tempo de D. João II.

O comendador referido era o da comenda de Ordem de Avis, existente no concelho de S. Vicente da Beira desde a Idade Média e com vastas propriedades na Póvoa. O prior era o do mosteiro de S. Jorge de Coimbra.

Os produtos devidos à Igreja, que resultavam sobretudo do pagamento da dízima, eram armazenados, num lugar chamado tulha, e divididos em três partes: uma para o bispo da Guarda, outra para o comendador de Avis e a terceira para o prior de S. Jorge. Era com estes bens que o comendador e o prior pagavam o cura da Póvoa e as despesas da Igreja.

Mais tarde, extinguiu-se o priorado de S. Jorge e dos seus bens fez-se uma nova comenda, a da Ordem de Cristo, com a incumbência de satisfazer as obrigações anteriormente confiadas ao prior.

Em 1758, nas Memórias Paroquiais (2), o cura Manuel Rodrigues Malha informou que «O pároco é cura anual apresentado um ano pelo comendador e outro ano pelo vigário de São Vicente da Beira. Tem de porção trinta e sete alqueires e meio de centeio e quatro de trigo, quatro almudes de vinho, sete mil e quinhentos réis em dinheiro e a cera necessária para todo o ano.»

O comendador era o de Avis e o vigário de S. Vicente, escolhido pela Ordem de Cristo, desempenhava a função de nomear o cura, em representação desta ordem.

O Padre Manuel Rodrigues Malha também descreveu a Igreja da Póvoa, que se situava fora do povo, mas contígua a ele. O orago era São Lourenço e o templo tinha três altares: o altar-mor e dois laterais, um de Nossa Senhora do Rosário e outro do Santo Nome de Deus. Havia duas irmandades, uma do Senhor e outra das Almas.

Quanto às ermidas, o cura informou: «Tem três ermidas, uma de Santo Sebastião, contígua ao povo, outra de Nossa Senhora da Encarnação, distante do povo um tiro de bala, outra de Santa Águeda, distante meia légua. A de Nossa Senhora da Encarnação é frequentada de romagem todo o ano e a de Santa Águeda no seu dia. A da Senhora da Encarnação é apresentada pelos oficiais da câmara deste povo e a de Santa Águeda pelo ordinário.»

As capelas de Santa Águeda e de Nossa Senhora da Encarnação eram zeladas por ermitões, mas esta pertencia à Câmara, enquanto a primeira era administrada pelo cura, em representação do bispo da diocese.

(1) ANTT, Registos Paroquiais, S. Vicente da Beira, Óbitos, livro 1, fólios 4-9v.

(2) ANTT, Memórias Paroquiais, Póvoa de Rio de Moinhos, volume 30, fólios 1875-1878.

José Teodoro Prata

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=192&id=15702&idSeccao=1994&Action=noticia

sábado, 8 de agosto de 2009

Faleceu o Padre Chaves

Na passada sexta-feira faleceu no Hospital de Portalegre p sr. Padre António Rodrigues Chaves, com 80 anos de idade, feitos a 11 de Abril.
Era natural de Alcaravela, fora ordenado a 27 de Junho de 1954, e tinha residência em Flor da Rosa (Crato) onde era pároco. Nesta zona servira as paróquias de Flor da Rosa, Aldeia da Mata, Chancelaria, Crato-Mártires; em tempos idos foi pároco de Sobral do Campo, Ninho de Açor, Póvoa de Rio Moinhos e Cafede na zona de Castelo Branco, e de Carreiras e Ribeira de Nisa na zona de Portalegre.
O funeral realizou-se no dia seguinte para a sua terra natal, sob a presidência do Bispo da Diocese.
Paz à sua alma.


Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=191&id=15575&idSeccao=1987&Action=noticia

domingo, 19 de julho de 2009

Prestígio reconhecido no regresso à família do futebol

Manuel Barata recebeu o galardão mais importante da Gala do Futebol, que premiou atletas, técnicos e dirigentes.
Manuel Barata voltou à família do futebol para receber o Troféu Prestígio da primeira Gala de Futebol do Distrito de Castelo Branco. O empresário natural de Castelo Branco foi galardoado no último sábado com o troféu mais significativo da festa organizada pela Associação de Futebol de Castelo Branco (AFCB) “por toda uma carreira, toda uma vida, de dedicação ao futebol do distrito com particular incidência no seio do organismo máximo do distrito”, referiu o presidente da associação, Carlos Almeida, na apresentação do prémio.
O vencedor deste troféu é escolhido pela direcção da AFCB, depois das sugestões feitas por um júri. A distinção surpreendeu-o por estar “há tantos anos afastado desta família do futebol”, referiu o homenageado na hora de receber o prémio.
“Eu sinto que fiz alguma coisa e por vezes com muito sacrifício, com muitas dificuldades, porque não era fácil naquele tempo” referiu já no final da cerimónia, em declarações ao Reconquista. O empresário nascido em Castelo Branco sente-se realizado com a dedicação à actividade empresarial, mas confessa sentir falta da ligação ao desporto. O regresso é assim uma possibilidade e até já houve oportunidades para o fazer num passado recente. Mas para já depende da actividade profissional.
“Vivi sempre com essa mágoa, de me ter afastado muito cedo do desporto”, referiu.
Manuel Barata foi dirigente do Benfica e Castelo Branco e presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco no inicio da década de 1980.
O Troféu Prestígio foi o culminar de uma cerimónia que aconteceu na Herdade do Regato em Póvoa de Rio de Moinhos, onde estiveram presentes figuras do desporto de toda a região e não só. O momento foi ainda aproveitado para a entrega das taças das várias competições organizadas pela AFCB.
Para o presidente da associação, a gala é um estímulo “a uma cultura baseada no mérito”, culminando uma época que também foi de apostas para a própria entidade.
“É com uma ponta de orgulho que digo que fomos e vamos continuar a ser pioneiros em alguns campos”, referiu Carlos Almeida, que apontou como exemplo a associação da principal competição do futebol distrital a uma marca, criando assim a Liga Piornos.
Na próxima época avançam as cadernetas de cromos para todas as competições, como o Reconquista já tinha noticiado. O trabalho desenvolvido pela AFCB foi elogiado por Sérgio Luz, que representou a Federação Portuguesa de Futebol na gala.
Além do Troféu Prestígio foram distribuídos 11 prémios em várias categorias (ver lista de vencedores) com algumas a serem comuns ao futebol e ao futsal. Facto que mereceu o reparo de José Luís Mendes, vencedor do troféu de melhor treinador futsal sénior pela Associação Desportiva do Fundão, que sugeriu a distinção entre as duas modalidades na atribuição dos prémios.
Lista de vencedores:
ÁRBITRO: Gonçalo Carreira
TREINADOR DE FUTEBOL E FUTSAL DE FORMAÇÃO: Francisco Lopes/ Desportivo de Castelo Branco
TREINADOR FUTSAL SÉNIOR: José Luís Mendes/ Associação Desportiva do Fundão
ATLETA SÉNIOR FUTSAL: Flávio Fonseca (Cadete)/ Casa do Benfica de Penamacor
ATLETA SÉNIOR FUTSAL CAMPEONATOS NACIONAIS: Vinicius Machado/ Associação Desportiva Fundão
ATLETA FEMININO FUTSAL: Rute Duarte/ Associação Desportiva do Fundão
TREINADOR FUTEBOL SÉNIOR: Eduardo Húngaro/ Sertanense
ATLETA FORMAÇÃO FUTEBOL E FUTSAL: Daniel Sousa/ Retaxo
ATLETA SÉNIOR FUTEBOL CAMPEONATO DISTRITAL: Nuno Alves/ Proença-a-Nova
ATLETA SÉNIOR FUTEBOL CAMPEONATOS NACIONAIS: Edgar Sá/ Sporting Covilhã
DIRIGENTE: José Mendes/ Sporting Covilhã
TROFÉU PRESTÍGIO: Manuel Barata
Por:
José Furtado

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=185&id=14686&idSeccao=1909&Action=noticia

Os maneios: ervagens e gados

Em artigo anterior, afirmámos que, na segunda metade do século XVIII, o povo da Póvoa continuava a dispor de terrenos baldios onde apascentar os seus gados, apesar do crescente individualismo agrário.
A documentação que consultámos, autos de arrematações (1) e autos de vereações camarárias (2), permite-nos identificar, na Póvoa, as seguintes ervagens: Boqueirões, ervagem da Abelheira, Coutada, ervagem da Lameira do Salgueiro, Navedeguas (Nave de Éguas, actualmente chamada Navedegas), ervagem das Regateiras, ervagem do Tiracalça, ervagem do Vale do Coelheiro, ervagem do Vale da Vinha e ervagem das Várzeas, entre outras.
A arrematação das ervagens era uma importante fonte de receitas. Em Agosto de 1776, a Câmara arrematou um bocado da Coutada, o couto da Fonte Ferreira, para pagar as ordinárias, imposto que o concelho tinha de pagar anualmente. A pastagem foi vendida para o período de S. Miguel até 12 de Março do ano seguinte.
No ano de 1768, em Abril, foram vendidas as pastagens das ervagens da Abelheira, das Regateiras e das Várzeas. No ano seguinte, as da Abelheira, das Regateiras, do Vale do Coelheiro e do Vale da Vinha. Em 1770, sempre na Primavera, arremataram-se as da Lameira do Salgueiro, do Tiracalça e do Vale do Coelheiro.
As informações dos dois parágrafos anteriores permitem-nos tirar algumas conclusões, suportadas ainda pelo que sabemos ter sido prática habitual nas ervagens do vizinho concelho de S. Vicente da Beira, nomeadamente na ervagem das Chiolicas.
As ervagens eram semeadas de pão cada três anos, ficando no ano seguinte de restolho e no outro de relva. Tanto os proprietários como os camponeses sem terra, os seareiros, aproveitavam estas terras para produzir centeio. Estes só usufruíam da terra entre a alqueivação e a ceifa. Finda esta, a ervagem voltava à propriedade comum dos vizinhos.
Estes eram livres de apascentar ali os seus gados, mas em algumas, por certos períodos, esse direito era exclusivo de quem arrematasse as pastagens à Câmara. Por exemplo, a ervagens da Abelheira e das Regateiras foram arrematadas, em 1768 e 1769, o que significa que o ano de 1770 foi o da cultivação. Por outro lado, as pastagens das ervagens da Lameira do Salgueiro e do Tiracalça só foram vendidas em 1770, tendo sido alqueivadas num dos anos anteriores e no outro ficaram como pastagens livres para os gados do concelho. Há ainda ervagens que nunca parecem arrematadas, o que significa que eram usadas livremente.
Os criadores de gado que arrematavam as ervagens podiam ser da Póvoa ou de fora. A arrematação era feita na praça e ficava com a ervagem quem desse mais. Além dos criadores da Póvoa, compraram pastagens, nestes três anos referidos, João Duarte Ribeiro do Casal da Serra, mas com raízes em Tinalhas e no Freixial, Manuel Henrique Neto de Tinalhas e Manuel Simão Barrigudo de Alcains.
Por vezes, os criadores associavam-se para comprar e aproveitar a pastagem. Assim aconteceu, em 1769, com a viúva Maria de Sousa que, com mais companheiros, arrematou a ervagem do Vale da Vinha, por sessenta mil e oitocentos réis.
Anualmente, todos os criadores de gado declaravam à Câmara o número de ovelhas que possuíam e a quantidade de lã produzida. Eram os chamados manifestos dos gados, para o conhecimento do «…juízo dos lanifícios da superintendência da vila da Covilhã.»
Neste ano de 1776, havia 10 rebanhos de ovinos na Póvoa, sendo um de dois criadores. O maior rebanho era o de Domingos Martins Cabaços, com 240 animais, e havia dois apenas com 60 ovelhas. Existiam um total de 1.165 ovinos (590 de lã branca e 575 de lã preta), que produziram 59 arrobas de lã branca e 57,5 arrobas de lã preta. Quase toda esta lã era obrigatoriamente vendida à fábrica da Covilhã, ficando cada família apenas com uma quantidade mínima, mas suficiente, para confeccionar a roupa e os agasalhos domésticos.
(1) ADCB, Câmara Municipal da Póvoa de Rio de Moinhos, Vereações, livro 1775-1777, caixa 1.
(2) ADCB, Câmara Municipal da Póvoa de Rio de Moinhos, Arrematações, livro 1767-1772, caixa 2.
José Teodoro Prata

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=186&id=14897&idSeccao=1925&Action=noticia

A economia local no século XVIII

(...)
Enquanto o trigo e o centeio marcavam presença, com maior ou menor intensidade, um pouco por todo o território que hoje integra o concelho albicastrense, já os milhos (com destaque para o “grosso” ou “maiz”) impunham-se nas freguesias de Castelo Branco, Alcains, Cafede, Escalos de Baixo e de Cima, Louriçal, Póvoa de Rio de Moinhos, Salgueiro, Sobral do Campo, Almaceda e Sarzedas, ou seja, em espaços onde a rede hidrográfica (com as suas margens cultiváveis) mais se adensava.
(...)

domingo, 28 de junho de 2009

O cultivo dos campos: folhas e ervagens

Póvoa de Rio de Moinhos - ontem e hoje

Em trabalho anterior, apresentámos a carta de emprazamento de um prazo da Ordem de Avis a Catarina Brás. Nele se referiam as folhas da Cabeça Carvalha, de Cea e do Vale da Vinha.
Ribeiro Sanches, no ano de 1777, na saudade da sua velhice parisiense, recordava a infância em Penamacor, cerca de 1700. Em “algumas causas da perda da agricultura de Portugal depois do ano de 1640”, define, em nota, o que eram as folhas: «…é aquele terreno que a Câmara da Vila determina para se lavrar, e cultivar naquele ano, deixando em relva o restante do termo para pastos dos animais. Por esta Economia Camaral, ficam todos os anos duas ou três partes das terras lavradas do Reino para pastos e uma ou duas partes para sustento dos Habitantes.»
Na Póvoa, o documento em estudo permite-nos concluir que as antigas folhas comunais já tinham passado, pelo menos em parte, para a posse de particulares, neste ano de 1766. No entanto, mantinham a designação de folhas e a prática do seu cultivo, com cereais, apenas de três em três anos.
As três folhas em causa situavam-se longe da vila, nas margens da Ocreza, na zona da actual barragem de Santa Águeda e imediatamente a jusante dela. Além destas, na margem esquerda da ribeira era a folha da Lardosa e na margem direita, um pouco mais acima, situava-se a folha das Chiolicas, actualmente chamada Cholcas, já no concelho de S. Vicente da Beira. Se a estas acrescentarmos a ervagem da Anta, a montante da actual barragem, que também se cultivava de cereais cada três anos, podemos concluir que todo o campo do vale da Ocreza, desde as proximidades do Louriçal até ao fundo do Vale da Vinha, fora desde tempos antigos terra baldia, que as autoridades arrematavam a particulares, proprietários ou seareiros, para o cultivo de cereais, principalmente de centeio, de três em três anos, ficando nos outros anos de restolhos e de relvas para os gados, em pastagem livre ou arrematada a criadores de gado.
Neste caso concreto, pelo menos parte destes baldios andavam na posse da Ordem de Avis. Este facto não contradiz o afirmado anteriormente, uma vez que originalmente a Póvoa foi pertença desta ordem, dela tendo recebido autonomia administrativa.
Como vimos, no século XVIII, a propriedade comum das folhas já evoluíra para propriedade particular. Outra marca do crescente individualismo agrário era a vedação das propriedades particulares com paredes, as chamadas tapadas. Elas já existiam na Horta do Salvado e junto à povoação, permanecendo ainda abertos os campos e pastagens das margens da Ocreza.
No dia 2 de Janeiro de 1777, fez-se o auto de vistoria de uma tapada de António Marques Carolo o velho, a fim de verificar se a vedação da propriedade com paredes prejudicava os interesses da população. A Câmara estava representada por um juiz ordinário, pelos dois vereadores e pelo procurador do concelho. Os interesses do povo foram defendidos pelo procurador do povo e oito pessoas da governança. A tapada foi autorizada, por não dar «…prejuízo a pessoa alguma, nem ao bem comum do Povo.»
Mas o povo continuava a deter alguns espaços baldios, geridos pela Câmara. Em próximo artigo, ocupar-nos-emos destas ervagens e da sua utilização pelos criadores de gado da Póvoa.
José Teodoro Prata

CDS defende convergência das pensões

O cabeça de lista do CDS/PP às Eleições Europeias, Nuno Melo falou quinta-feira, dia 28 de Maio, a um grupo de alunos da Universidade Sénior Albicastrense – USALBI sobre as preocupações que o Partido sente em relação às baixas reformas dos portugueses.
Defendendo que não quer votos a troco de “sacos de plástico, esferográficas ou de calendários”, mas sim, “porque é merecido”. E para merecer este voto, atendendo a que a plateia era maioritariamente sénior, Nuno Melo defendeu a convergência das pensões, algo que Bagão Félix, enquanto ministro da Segurança Social tentou implementar.
O cabeça de lista do CDS/PP lamenta que haja pessoas, “que descontaram uma vida inteira” a viver com um reforma de 220 ou 243 euros, enquanto os números do Rendimento Social de Inserção, anteriormente designado por Rendimento Mínimo, duplicou, em quatro anos, a sua dotação financeira no Orçamento de Estado.
Critica também algumas medidas que este Governo tomou, como a eliminação de comparticipação em alguns medicamentos, bem como a taxação de quem ganha 500 euros, isto “feito por um Estado que só comete excessos”.
Por outro lado, refere, “a taxa de desemprego também é a maior dos últimos 25 anos, sendo Portugal o país com maiores desigualdades da Europa, com muita gente no limiar da pobreza, sobretudo os idosos que usufruem de pensões mínimas”.
Mas além dos idosos, também “20 em cada 100 jovens estão desempregados”, defendendo que “é preciso incentivar a natalidade e é necessário ter mais jovens a trabalhar, para ajudarem os mais idosos, pois um estado democrático ajuda quem precisa”.
Nuno Melo reitera que “o CDS/PP não é contra o Rendimento Mínimo, mas sim contra a falta de fiscalização da atribuição do mesmo, provocando grandes injustiças, comparativamente com os que sempre trabalharam e fizeram os seus descontos e agora não têm uma reforma que lhes permita, pelo menos, viver condignamente”, acrescentando que “há muita gente a receber esse Rendimento Mínimo que precisa menos que os pensionistas”.
Os candidatos
Nesta sessão com Nuno Melo esteve também presente o cabeça de lista à Câmara Municipal de Castelo Branco pelo CDS/PP, Luís Paixão, mas também os candidatos à Câmara e Assembleia Municipal de Idanha-a-Nova, o advogado e professor Pedro Sousa e a jurista Marta Falcão.
Recorde-se que o CDS/PP também já avançou com João Gonçalves em Belmonte, Vítor Gabriel em Penamacor (aqui em coligação com o PSD) e Aires Patrício e Manuel Saraiva, à Câmara e Assembleia Municipal do Fundão.
Para já, o CDS/PP tem também o candidato mais jovem do distrito, João Freire Jerónimo, de 19 anos, que encabeça a lista à Junta de Freguesia de Póvoa de Rio de Moinhos.

Trinta nomeados para a gala do futebol

Os protagonistas estão distribuídos por dez categorias, às quais se juntam a de melhor árbitro (1º classificado do CA) e o Troféu Prestígio, para uma figura marcante.
São trinta os agentes desportivos nomeados para a primeira Gala do Futebol do distrito de Castelo Branco, que irá realizar-se a 20 de Junho, 19h30,na Herdade do Regato, Póvoa de Rio de Moinhos.
Os candidatos aos troféus de melhores intérpretes da temporada futebolística (futebol e futsal) estão distribuídos por dez de doze categorias. As duas restantes dizem respeito ao Troféu Prestígio, que irá distinguir uma figura grada para o futebol do distrito, a divulgar apenas no dia da Gala (tal como os vencedores das várias categorias), e ao melhor árbitro que, naturalmente, tratando-se de uma iniciativa da AFCB, vai distinguir o primeiro classificado da tabela do Conselho de Arbitragem, no caso Gonçalo Carreira.
A Gala do Futebol, um dos sete pontos fixados no projecto de intervenção da actual equipa dirigente da AFCB, tem na edição de estreia o patrocínio da Câmara de Castelo Branco. Oito órgãos de comunicação social do distrito, entre os quais o Reconquista, são parceiros activos do evento.
Carlos Almeida, presidente da Associação, considerou em Março, durante a apresentação pública da Gala, ser este “um espaço que até ao momento estava por preencher”, dado partir da instituição que superintende o futebol no distrito de Castelo Branco, para além de constituir “um momento de excelência” para entrega das taças aos campeões das provas que a AFCB promoveu ao longo da época.
Com a apresentação esta semana dos nomeados, cumpre-se mais um passo para a cerimónia do dia 20, um sábado. Lá estão aqueles que marcaram, claramente, pontos ao longo da temporada, sabendo o júri que “outros poderiam muito bem estar nomeados” e que uma iniciativa desta natureza, à semelhança do que acontece noutras áreas e ao nível nacional e internacional, nunca será geradora de consensos. Por isso, a estrutura organizativa desafiou um júri de oito elementos identificados com a área.
A Gala do Futebol tem, para a AFCB, um carácter motivador. Um veículo de combate “ao afastamento existente em relação ao associativismo”. Carlos Almeida espera que o certame possa incentivar o ressurgimento de emblemas e pessoas, contrariando uma tendência que de há uns anos a esta parte tem emagrecido, significativamente, os quadros competitivos, nomeadamente ao nível dos seniores.
Nomeados

Dirigente
- Aníbal Antunes (Estreito)
- José Mendes (Sp. Covilhã)
- Paulo Farinha (Sertanense)
Jogador sénior
(camp. nacionais)
- Bruno Xavier (Sertanense)
- Edgar (Sp. Covilhã)
- Miguel Vaz (BC Branco)
Jogador distrital
- Nuno Alves (Proença)
- Pira (Estreito)
- Quinzinho (Alcains)
Jogador de futsal
(camp. nacionais)
- Esteves (AD Fundão)
- Hugo Nunes (B. Esperança)
- Vinícius (AD Fundão)
Jogador de futsal
(camp. distritais)
- Cadete (CB Penamacor)
- Hélder Pinto (C. Formoso)
- Liléu (CB Penamacor)
Atleta da formação
(futebol e futsal)
- Adriano (Sp. Covilhã)
- André Caio (Desportivo)
- Dany (Retaxo)
Atleta feminino:
- Joana Santos (AD Fundão)
- Raquel Fernandes (Donas)
- Rute Duarte (AD Fundão)
Treinador futebol
(seniores)
- E. Húngaro (Sertanense)
- Hugo Andriaça (Alcains)
- Nuno Fonseca (BC Branco)
Treinador da formação
(futebol e futsal)
- Chico Lopes (Desportivo)
- José Agostinho (Sp. Covilhã)
- Ludovico Matos (Cortes do Meio)
Treinador de futsal
- Bruno Travassos (CB Penamacor)
- José Luís (AD Fundão)
- Joel Rocha (ADF feminino)
Melhor árbitro
Gonçalo Carreira (CA da AFC Branco)

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=183&id=14430&idSeccao=1881&Action=noticia

Castelo Branco e a sua economia agrícola


Por João Marinho dos Santos

Antes de apresentarmos uma caracterização da economia agrícola do concelho de Castelo Branco, em meados do século XVIII, teremos, obviamente, de falar, ainda, da Lardosa quanto ao então seu posicionamento administrativo. A freguesia mais a nordeste do actual concelho de Castelo Branco integrava o termo da vila de Castelo Novo.
Situada, também, em “vale” ou campina e vizinhando com Lousa, Escalos de Cima, Alcains, Póvoa de Rio de Moinhos e Louriçal do Campo, esta(va), portanto, plenamente integrada no “campo”. Tinha como anexa única um “monte”, mas demograficamente considerável (145 pessoas), contabilizando, então, a sede mais de meio milhar de indivíduos. Centeio, azeite e vinho eram os produtos principais, perfeitamente adequados, portanto, às culturas do “campo” da zona norte.
Tanto na zona do “campo” albicastrense, como na da “charneca”, os cereais (trigo, centeio e milho) continuavam a afirmar-se, no século XVIII, como produções dominantes, com relevo para o centeio. Claro está que a mancha territorial ocupada pelo “cereal pobre” não era homogénea, podendo e devendo assinalar-se que, no “campo” meridional, o trigo deveria suplantá-lo. Por sua vez, na zona central do “campo”, o equilíbrio entre os dois tipos de cereal já deveria ser maior. Por freguesias e numa intensidade decrescente, o trigo marcava presença nas de Monforte, Malpica, Mata, Escalos de Baixo e Escalos de Cima, Castelo Branco, Cafede e Salgueiro, ou seja, onde o habitat humano se mostrava mais concentrado, com explorações agrícolas de maiores dimensões e mais isoladas.
Reconheçam-se, no entanto, as fragilidades frequentes da cerealicultura, quer devido a maus anos agrícolas (ou por escassez de chuvas ou por abundância delas e, sobretudo, a destempo), quer pelo surgimento de pragas, como as terríveis nuvens de gafanhotos. Concretamente, pelos anos 30 e 40 do século XVII, valia aos habitantes do então concelho de Castelo Branco a pecuária, já que uma persistente praga de gafanhotos vinha destruindo as “novidades”. E, no ano de 1781, mais propriamente na sessão da câmara municipal de Castelo Branco que decorreu a 11 de Maio, foi lido um ofício do Intendente Diogo Inácio de Pina Manique com instruções para se evitar ou aniquilar a ameaça dos gafanhotos que já pairava sobre a raia de Espanha e estava a alastrar ao “campo” de Castelo Branco. Aliás, como mais adiante assinalaremos, a devoção à Senhora dos Altos Céus, na Lousa e suas redondezas, deveu-se, em grande parte, à eliminação miraculosa de uma terrível praga de gafanhotos.

O cultivo dos campos: um prazo da Ordem de Avis

Póvoa de Rio de Moinhos – ontem e hoje

No século XVIII, tal como hoje, existiam pequenos, médios e grandes proprietários agrícolas. Mas algumas famílias não cultivavam as terras, por diferentes motivos. Noutros casos, elas pertenciam a entidades não vocacionadas para a actividade agrícola: comendas, confrarias, conventos… Uns e outros arrendavam as suas terras, ou emprazavam-nas, como se dizia na época, a lavradores, a troco do foro, a renda de então.
Um dos grandes proprietários da Póvoa era a Ordem de Avis, que aqui detinha terras, desde os tempos medievais. Estas e as outras propriedades desta ordem no concelho de S. Vicente da Beira formavam uma comenda, dada a comendadores, da família dos Costas, grandes nobres que sempre ocuparam o cargo de armeiro-mor do Reino.
Um conjunto de propriedades da Póvoa, pertencentes a esta comenda de S. Vicente da Beira da Ordem de Avis, andava há várias gerações na posse da família Malha. Nessa época, os contratos eram por três vidas, podendo os foreiros transmitir a posse das terras emprazadas aos seus descendentes, por muitas gerações.
Em 1766, Catarina Brás, irmã do P.e Manuel Rodrigues Malha, o cura das Memórias Paroquiais, requereu à Ordem de Avis a renovação do prazo que trouxera seu irmão Dionísio Rodrigues Malha, o qual falecera solteiro e sem descendência.
Este prazo era formado por sete propriedades, cujos direitos de usufruto Dionísio Rodrigues Malha herdara de seu pai, Manuel Rodrigues Malha, de sua tia solteira, Brites Fernandes, e de Miguel Nunes.
É deste prazo que Catarina Brás reivindica a posse, apesar de já deter um outro, possivelmente também da comenda de Avis, que herdara do seu tio Vicente Fernandes, como herdeira mais directa.
O prazo emprazado a Catarina Brás era formado pelas seguintes propriedades:
Meia sorte de terra na folha da Cabeça Carvalha, ao Vale do Sabugal: era terra sem árvores, com um curral, que produzia centeio e alguns feijões fradinhos; pagava de foro meio alqueire de trigo, três quartas de centeio e meia galinha.
Uma sorte na folha de Cea, no Porto Cozendo: semeava-se de centeio e tinha alguns carvalhos; pagava alqueire e quarta de trigo, três meios de centeio e uma galinha.
Outra sorte na folha de Cea, nas Várzeas: era terra pobre e cultivava-se de centeio; pagava alqueire e quarta de trigo, três meios de centeio e uma galinha.
Uma sorte na folha do Vale da Vinha, da parte dalém da ribeira: era terra sem árvores, muito pobre e fria; produzia centeio e pagava um alqueire de trigo, outro de centeio e uma galinha.
Uma sorte na folha do Vale da Vinha, ao Cabeço da Cerejeira: tudo eram cabeços, sem árvores algumas; produzia centeio e pagava meio alqueire de centeio, meio alqueire de trigo e uma galinha. Esta sorte e as anteriores só pagavam foro no ano da cultivação, que era de três em três anos. Nos outros anos, ficavam de restolho e de relva, para os gados. O foro correspondia a um oitavo da produção.
Uma terra na Horta do Salvado: tinha uma figueira e era terra muito fria e de cabeços e lajes pelo meio; produzia centeio e pagava, todos os anos, um alqueire e uma quarta de trigo.
Um quintal ao pé da Igreja da Póvoa: tinha duas figueiras e duas oliveiras, levava de semeadura uma quarta de centeio e pagava um alqueire de centeio, todos os anos.
Catarina Brás pagava o foro ao prioste, «…por dia de Nossa Senhora de Agosto. E o trigo e centeio há-de ser bom e de receber, limpo de pá e vassoura, do melhor que derem as terras do dito prazo…». O prioste era quem, localmente, arrecadava as rendas devidas à comenda de Avis.
Em próximo artigo, abordaremos a questão da propriedade comum e privada dos espaços agrícolas.

(ANTT, Ordem de Avis, A Catharina Bras, carta de emprazamento em vidas, livro 42, fólios 144 a 159)

José Teodoro Prata

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Tiesto & Yves LaRock oficialmente em Alcains


Desta vez é oficial. São ambos Dj’s internacionais, Tiesto é o DJ mais premiado de todos os tempos, Yves LaRock foi o DJ revelação do Verão de 2007, e vão estar num festival uníco, realizado em Alcains, perto de Castelo Branco.A estes dois nomes internacionais juntam-se: Diego Miranda, Eddi Ferrer, J. Gil, Sergy, Myke Karizma, Rui Sargento, Pinto Infante e Xibanga.







Para os mais atentos, ao visitarem os sites oficiais http://www.yveslarock.com/dates ou http://www.tiesto.com/, irião encontrar no calendário de eventos dos artistas a actuação em Alcains (Castelo Branco). Ora fiquem com o Cartaz oficial.
Sites para compra de bilhetes:


www2.ctt.pt

http://www.ticketline.pt/

http://www.albicoisas.pt/















Fontes oficiais: http://www.yveslarock.com/dates , http://www.tiesto.com/

Fontes: http://canilho.wordpress.com/2009/05/12/tiesto-e-yves-larock-em-alcains-a-10-de-junho/


http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=178&id=13753&idSeccao=1807&Action=noticia

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pelo antigo concelho de São Vicente da Beira

por João Marinho dos Santos
Prestando atenção à economia e à demografia das freguesias que, em meados de Setecentos, integravam o concelho de São Vicente da Beira, colhemos informação que nos permite desenhar as seguintes imagens.
O lugar de Freixial do Campo, segundo o respectivo cura, estava confinado, então, a «uma so rua», com 38 “fogos”, embora a paróquia contasse mais dois “casais” com 19 “fogos”, o que perfazia 57. Reconheça-se que é já o “campo” (patente aliás na designação do lugar) ou um “vale”, no dizer do informador, que estrutura o território desta freguesia. Contudo, a proximidade à “charneca” é ainda grande, pelo que, confinando com Almaceda, tinha, como principais produções, o centeio, o feijão-frade e o azeite.
A leste de São Vicente da Beira e, portanto, igualmente bem integrado nas abas meridionais da Gardunha, o lugar de Louriçal do Campo, naquela época com um fundo demográfico relativamente considerável (147 “fogos” ou “vizinhos”) e sem povoações anexas, colhia também, em «mediana abundância», alguns frutos próprios da “charneca” e do “campo”, a saber: centeio, milho grosso, feijão, castanha e azeite. Assinale-se, contudo, que a rocha dominante já é o granito, com a vantagem da produtividade da “fazenda “de solos arenosos contar, e muito, com a fecundidade do maior curso de água da zona – o Ocreza.
Ninho do Açor, a sul de São Vicente da Beira, continua(va) a ter, por sítio, mais «de montes que de vales, ou campina», no dizer do cura que assinou as respostas ao questionário de 1758. Deste modo, o retrato paisagístico Setecentista, que poderemos debuxar, assemelha-se ao de Louriçal do Campo, ou seja, o centeio, o feijão e o azeite constituíam o suporte económico dos cerca de 40 “vizinhos” ou “fogos” que residiam no lugar, sem qualquer povoação anexa.
Póvoa de Rio de Moinhos também não dispunha, então, de qualquer aglomerado populacional sufragâneo, mas a dimensão demográfica da freguesia (150 “fogos” com cerca de 500 pessoas) concorria, por certo, para que fosse «concelho sobre si», ou seja, para que tivesse jurisdição própria em tudo o que pertencia ao foro cível. Em termos económicos, a leste de Tinalhas e já mais próxima do coração do “campo” albicastrense, a Póvoa produzia, a par do centeio, do milho, do feijão e do azeite, um bem susceptível de ser mercantilizado – o vinho. Aliás, o número de equipamentos industriais instalados, então, nos limites desta freguesia e a sua diversidade (moinhos, pisões, lagares de azeite, “tintas” ou tanques de tingir) indiciava sobre a riqueza do respectivo “campo”.

Matrícula dos Moradores, 1779: um retrato social

A boa administração do Reino tornou-se um objectivo do poder central, na segunda metade do século XVIII. Mas para bem governar era imperioso conhecer e por isso se ordenou a contagem da população.
Foi o juiz de fora de S. Vicente da Beira quem coordenou o registo dos moradores da Póvoa, na sequência da matrícula dos moradores daquele concelho, embora a Póvoa fosse um concelho à parte. Certamente foi coadjuvado pelas autoridades da Póvoa, as quais terão registado os moradores desta vila.
O documento encontra-se no Arquivo Distrital de Castelo Branco, fundo da Câmara Municipal de S. Vicente da Beira, “Matrícula dos Moradores da Vila e Termo”, livro 1779, maço 35. Foram apontados o nome de cada chefe de família, o seu estado civil, o número de filhos ou outras pessoas que com ele vivam e a actividade económica ou profissional que garantia o sustento da casa.
A Póvoa contava, em 1779, 167 agregados familiares, num total de 520 habitantes. A média, por família, era de 3,1 pessoas, o que constitui um valor abaixo da média no Reino, que rondava as 3,5 pessoas por agregado familiar.
Nesta época, ainda eram frequentes as mortandades, por má alimentação, falta de higiene e poucos conhecimentos da ciência médica. De anos em anos, morriam quase todas as crianças e por vezes também grande número de jovens e adultos. Por isso, a população não aumentava, as famílias tinham poucos membros e a esperança de vida pouco passava dos 40 anos.
Quanto ao estado civil, 23 (14%) famílias eram chefiadas por pessoas solteiras, 99 (59%) formavam casais e 45 (27%) por pessoas viúvas. Nos casados, incluímos duas mulheres abandonadas pelos maridos.
Elas surgem em reduzido número, pois o chefe da família era quase sempre homem. As mulheres chamavam-se: Ana, Angélica, Catarina, Domingas, Engrácia, Francisca, Isabel, Joana, Joaquina, Josefa, Leonor, Maria, Maria da Conceição, Maria do Carmo, Margarida, Perpétua, Quitéria, Rita, Teodora e Vitória. Os nomes masculinos mais usados eram Manuel (33), José (14), Domingos (13), António (7), Francisco (7) e João (6). Quanto aos nomes de família, os habitantes da Póvoa distribuíam-se por mais de 50 apelidos.
Nesse tempo, os apelidos variavam em género. Havia o Domingos Leitão e a Margarida Leitoa, o João Franco e a Maria Franca. Se o pai e o filho tinham o mesmo nome, distinguiam-se assim: António Marques Carolo o velho e António Marques Carolo o moço.
Aos nomes de alguns moradores foram acrescentadas as alcunhas, para melhor os identificar. Alguns exemplos: António Alves Alferes, Domingos Franco Passarinho, José Fernandes Papudo, Manuel Alves Medelim, Manuel Fernandes Bronco, Manuel Fernandes Ferros, Manuel Vaz Almaceda e Maria Nunes da Estalagem.
Nos homens, não se fez distinção social, mas uma viúva destacou-se de todas as outras mulheres pelo título. Era a Dona Perpétua, tinha três filhos e vivia da lavoura. Uma outra mulher também foi diferenciada, mas por outro motivo. Chamava-se Josefa de Mena e era muda.
Em próximo artigo, faremos o retrato socioeconómico da Póvoa, a partir do mesmo documento.
José Teodoro Prata


Fonte:http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=176&id=13393&idSeccao=1782&Action=noticia

Jubileu dos Consagrados

No dia 1 de Maio, no Carvalhal (Souto), realizam-se as celebrações diocesanas dos Jubileus dos Consagrados. No que toca aos sacerdotes faz 25 anos de ordenação o Pe. João da Rosa Ferreira, a trabalhar na Casa do Gaiato, natural desta localidade. Fariam 50 anos de Ordenação os Reverendos Padres José Eusébio, do Vale da Torre, Tomás Farinha, da Póvoa de Rio de Moinhos, ambos já falecidos. Faz também 50 anos de ordenação o padre Manuel Duarte Luís, da Lardosa, que entretanto pediu dispensa do exercício do sacerdócio ministerial. No que toca a religiosas há notícia de alguns jubileus de bodas de prata e de oiro; neste momento sabemos das Bodas de Prata da Irmã Maria da Conceição Fernandes, a trabalhar em Arronches.
A celebração da Eucaristia no Carvalhal, pesidida pelo sr. Bispo da Diocese, está prevista para as 11H00.

Fonte:http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=176&id=13340&idSeccao=1788&Action=noticia

sexta-feira, 10 de abril de 2009

E as pessoas?

Em artigos anteriores abordaram-se as condições técnicas e económicas que permitiram a fixação e a sobrevivência de populações nas margens da Ocreza e registaram-se os testemunhos de modos e formas de vida que, vindas da noite dos tempos, persistiram quase até ao nosso tempo. Falámos da terra, da economia, da técnica, mas os sujeitos da história são os homens, colectiva e individualmente, e é neles que nos vamos agora deter.
Em mais de 700 anos de existência histórica, a população da Póvoa aumentou dos primitivos 35 casais, em 1236, para as 278 famílias residentes contabilizadas no Recenseamento Geral de 2001. Não podemos saber a quantas pessoas correspondiam os 35 casais, mas sabemos que no início do século XXI viviam na Póvoa 685 pessoas. Foi uma evolução gradual nem sempre no mesmo sentido. Primeiro, um crescimento contido, pontuado por crises de subsistência frequentes, depois, quando as alterações económicas e sanitárias o possibilitaram, um aumento demográfico consistente. Segundo os censos, atingiu o máximo de população na década de 1940, com 1.163 habitantes.
Vamos então ver de mais perto essa evolução. Em 1708, diz-nos o padre António Carvalho da Costa, na Corografia Portuguesa, que a Póvoa de Rio de Moinhos tinha 280 vizinhos. Depois do Terramoto, em 1758, é a vez do cura Manuel Rodrigues Malha informar que a vila contava 150 vizinhos perfazendo 400 pessoas adultas. Em 1801, foi o pároco Faustino Marques Carolo que esclareceu a Câmara Eclesiástica da diocese de Castelo Branco dizendo que a freguesia de S. Lourenço tinha 156 fogos e um total de 565 pessoas, sendo 258 do sexo masculino e 307 do feminino. Tinham ainda nesse ano nascido na vila 8 homens e 7 mulheres e morrido igual número.
Outro meio século passou até o pároco João José da Fonseca vir assegurar que, em 30 de Dezembro de 1849, havia na Póvoa, então freguesia do concelho de S. Vicente da Beira, 192 fogos e 461 “almas”. Quinze anos mais tarde, em 1864, o 1.º Recenseamento Geral da População reconhecia 791 pessoas distribuídas por 214 fogos.
Em quinze anos é um aumento significativo que poderá significar um maior bem-estar e uma expectativa optimista relativamente ao futuro, factores sempre estimulantes para a constituição de novos agregados familiares autónomos. Quanto à divergência dos cálculos referidos pode atribuir-se a diferentes critérios e a diferentes finalidades de uma e de outra contagem. Universal a de 1864; restritiva a de 1849, que não teria contabilizado as crianças sem idade para acederem à comunhão.
Em 1878 éramos 807, depois, a crescer, segundo dados dos recenseamentos feitos de dez em dez anos, 898 em 1890, 941 em 1900, 1058 em 1911, 968 em 20 (ai a pneumónica!), 1028 em 30, e depois de, em 1940, se registarem 1163 habitantes, a descer: 1130 em 1950, 1114 em 60, 795 em 70 (a grande quebra com a emigração), 851 em 80 e 768 em 1990. No início do milénio, 685.
Para além destes números oficiais, dispomos de outros elementos quantitativos que nos vão dando o quadro socioprofissional da Póvoa. Por exemplo, um documento de 1779, que faz o levantamento dos 167 agregados familiares, permite-nos conhecer o nível dos rendimentos ou a profissão exercida pelo cabeça de cada um deles. Os que desempenhavam os diversos ofícios e mesteres necessários a um pequeno povoado – no comércio, nos transportes, nas artes, nos serviços, na actividade agrícola – e um grupo significativo, sem profissão indicada, que é referido pela sua posição numa escala socioeconómica.
No fundo dessa escala, 23 agregados pobres a que se junta um outro que vive de esmolas. São todos, com uma única excepção, constituídos por viúvas ou mulheres solteiras: a condição de pobre é, portanto, inerente à condição feminina. Acima, outros 23, em que uma vintena continua a ser de solteiras ou viúvas que vivem de trabalho não especificado e mais três famílias que recebem soldada. Subindo, um grupo numeroso (16 agregados) que vivem de suas fazendas e, no topo, 7 que desfrutam do rendimento de lavoura.
Este último integra um caso de enobrecimento pelo casamento, uma Dona Perpétua, filha de Manuel Martins Preto, um homem da governança do concelho, levado prisioneiro pelas tropas espanholas, na sequência da Guerra dos Sete Anos, para Alcântara, onde faleceu.
Em próximos artigos vamos analisar o documento atentamente.
Benedicta Maria Duque Vieira

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=174&id=12986&idSeccao=1755&Action=noticia

domingo, 5 de abril de 2009

Yves Larock e Bob Sinclar

Segundo a página http://www.myspace.com/yveslarock, Yves Larock estará dia 11/04/2009 em Castro Verde (Beja).

Segundo a página http://www.bobsinclar.com/news, a próxima festa com Bob Sinclar será na Rússia no dia 18/04/2009, e o DJ estará em Portugal em Agosto:
Sat 8th - Andromeda, Vila Real
Sun 9th - Lagars, Amares
Fri 14th - Pacha la Pineda, Pineda

A última notícia do Jornal Reconquista sobre estes dois DJ's, data de 22-01-2009, e garante a sua presença em Alcains no dia 11/04/2009 ( http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=163&id=11387&idSeccao=1609&Action=noticia )

Por aqui não temos conhecimento que tenha existido alguma notícia posterior, a rectificar o que foi escrito, no entanto tudo indica que seja bastante improvável a presença destes dois DJ's no próximo dia 11/04/2009 em Alcains.