domingo, 15 de março de 2009

Gentes da Terra - Próteses dentárias

Laboratórios produzem para o mercado regional e nacional

São próteses fixas e removíveis feitas em Alcains e expedidas para todo o país. Os dois laboratórios têm conseguido até agora escapar aos efeitos da crise económica.
Ideal Prótese e Alcaidente são os dois laboratórios de próteses dentárias que se instalaram na vila há menos de dez anos. Ambos se especializaram em segmentos de mercado diferentes. O primeiro faz próteses dentárias fixas, enquanto o segundo se dedica às próteses removíveis. Em comum têm ainda a particularidade de serem geridos por filhos de emigrantes portugueses em França.

Os dados com a estrutura da futura prótese são enviados por Internet para a Suécia, explica Michel Morais
Os dados com a estrutura da futura
prótese são enviados por Internet para a
Suécia, explica Michel Morais



Os dados com a estrutura da futura prótese são enviados por Internet para a Suécia, explica Michel Morais Michel Morais, com 36 anos, nasceu em França, país para onde os pais, naturais de Póvoa do Rio de Moinhos, emigraram. Até aos 25 anos veio sempre passar as férias de Verão a Portugal. Na França, mais precisamente em Lyon, formou-se no curso superior de Prótese Dentária. “Todos os anos vinha cá passar férias. Apercebi-me que havia poucos laboratórios a fazer próteses fixas e optei por me instalar cá”, recorda Michel Morais.
Como já possuía experiência profissional na área, não foi difícil criar o laboratório. Desde 1998 que o Ideal Prótese funciona no rés-do-chão da porta 24 da Rua D. Leonor Simões Prata. Ao início contou apenas consigo próprio para realizar o trabalho, mas hoje já emprega mais três pessoas.
“Felizmente temos uma boa carteira de clientes. Trabalhamos para o país inteiro. De Elvas até Braga”. Médicos dentistas e clínicas dentárias são os principais clientes. Nos últimos seis anos o sector tem mudado bastante, refere o jovem empresário. “A prótese fixa tem vindo a desenvolver-se imenso em termos de materiais e técnicas”. Os meios informáticos vieram dar uma ajuda, o que “nos obriga a uma formação e investimento constantes”. E para manter o bom rumo do negócio: “temos de estar sempre a puxar pelo barco, para não ficar para trás”.
Actualmente, computadores e software informático permitem “reproduzir a três dimensões a formação dentária das pessoas e efectuar directamente no computador uma parte do trabalho, ou seja, a estrutura da prótese.” Estrutura essa, que é feita por uma empresa localizada na Suécia, para onde o laboratório de Alcains envia os dados através da Internet.
Apesar do avanço da tecnologia, quase todo o processo de produção continua a ser feito manualmente. Em relação aos efeitos da crise económica mundial, Michel Morais refere que o sector dificilmente conseguirá escapar. No entanto, a aposta da sua empresa em diversificar a carteira de clientes, ao longo dos últimos anos, tem permitido até aumentar o volume de vendas.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O território e a vida quotidiana

Póvoa de Rio de Moinhos - ontem e hoje

Já vimos, nos artigos anteriores, como foi efectuado o povoamento, quem foram os povoadores e as dificuldades que sentiram as populações, para se fixarem no território. Dedicaremos esta pequena crónica ao dia a dia destas mesmas populações e ao território que ocuparam.
As povoações não eram aglomerados contínuos de casas como hoje geralmente acontece. Eram constituídas por pequenos pedaços de terra, necessária e suficiente à manutenção de uma família. A isto se chamou, na Idade Média, o casal, unidade base de povoamento.
À medida que a população foi crescendo, este sistema foi-se progressivamente desintegrando, mantendo embora os laços de relacionamento económico.
Como refere A. H. de Oliveira Marques, na sua História da Agricultura em Portugal, “cada herdeiro ficava sendo co-proprietário em vários casais” (pág 106).
As várias famílias, com o alargamento do grupo de relações de sangue original, acordavam em reconhecer um chefe, a quem chamavam o “cabeça de casal” (pág 107). Esta expressão ainda hoje é por nós utilizada quando, em processos de partilhas, há que nomear um dos herdeiros, em representação dos restantes, o cabeça de casal.
Estas famílias viviam à mistura com os animais do casal, geralmente ovelhas e cabras, o burro e também o porco, base complementar da dieta alimentar. As pequenas parcelas de terreno eram cultivadas com os instrumentos agrícolas da época: o enxadão, a foice, o arado e o mangual, etc.
Poderemos imaginar assim os primeiros povoadores, bem como os moleiros que se fixaram inicialmente muito próximo das ribeiras.
A vida quotidiana do moleiro tinha, além da pequena exploração familiar, o encargo de conduzir o moinho e vigiar o seu funcionamento.
A família do moleiro vivia com ele, muitas vezes num pequeno espaço, à mistura com os animais. A corrente das ribeiras era, às vezes, impetuosa, e tinham que abandonar tudo, como nos contou um interlocutor, nos depoimentos que estamos a recolher: lembra-se, numa noite, toda a família ter sido evacuada pelo telhado, pois as águas da ribeira invadiram tempestuosamente o moinho.
Como refere Orlando Ribeiro no seu livro Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, a concentração das chuvas nas estações menos quentes e a longa secura de Verão, dão origem a um período de Verão bem marcado, que imprime à vegetação herbácea, carácter estépico e explica a dominância de árvores e arbustos de folha perene (pág 8).
Temos assim o cultivo de cereais de sequeiro, com predominância para o centeio e a cevada, com algum trigo nos terrenos mais férteis. Mais tarde foi também introduzido o cultivo do milho.
Os campos eram pobres e por isso divididos em folhas ou parcelas, como referem os documentos antigos. Enquanto uma das folhas era semeada, a outra ficava de pousio para, um ano depois poder voltar a ser semeada. Este, com ligeiras alterações e melhoramentos, foi o sistema utilizado para tirar dos terrenos pobres o máximo rendimento. Havia entretanto que alqueivar, isto é, lavrar e não semear para que a vegetação espontânea não impedisse o restauro do solo.
Os moinhos foram o instrumento necessário para a transformação do grão em farinha, para produzir o pão centeio ou meado (parte centeio parte trigo), base essencial da alimentação nestes tempos.
Na próxima crónica ocupar-nos-emos dos moinhos e dos pisões.

José Antunes Leitão

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=166&id=11876&idSeccao=1651&Action=noticia

sábado, 31 de janeiro de 2009

Larock e Sinclar em Alcains

Retirado do Jornal Reconquista:

Mega Festival em Abril

Yves Larock e Bob Sinclar vão mesmo actuar em Alcains em Abril deste ano, mais precisamente no dia 11. A organização do evento está em marcha.
Está confirmada a realização de um mega festival com a presença dos DJs mundialmente famosos Yves Larock e Bob Sinclar em Alcains por alturas da Páscoa deste ano. De acordo com o que Reconquista acaba de apurar, a realização deste evento naquela vila será dedicada à juventude desta região, mas certamente atrairá gente de todo o país, dado o interesse que suscitam as festas onde estes dois famosos artistas participam.

Hugo Tabaco, o promotor desta iniciativa, confirmou isso mesmo ao Reconquista no decorrer desta semana, dando assim conta da chegada a bom porto nas reuniões que foram levadas a efeito para este fim com a Câmara de Castelo Branco e com o Clube Desportivo de Alcains. Os contactos mantidos com ambas as figuras de renome internacional e respectivos agentes e representantes já decorriam há algum tempo e fizeram-no acreditar nesta possibilidade. “Para a vila de Alcains será excelente conseguir levar por diante esta iniciativa, na medida em que vão ser certamente os dias mais animados do ano, tanto a nível de juventude como certamente do comércio local”, refere.

Confirmadas estão também a data da realização e o local, dia 11 de Abril no Estádio Trigueiros de Aragão. “Trata-se de facto de uma festa de estrondo, com o melhor que há actualmente a este nível na actualidade internacional”, confere Hugo Tabaco, que quer também inserir nesta iniciativa uma componente de ajuda ao clube local. Pelo que a direcção do CDA está ao lado deste evento desde a primeira hora.

“Já abordámos o assunto em reunião de Direcção e fomos unânimes em considerar como excelente a iniciativa, na medida em que vai trazer alguns proveitos para o clube e se insere perfeitamente no nosso perfil de entidade dedicada ao desporto, à cultura e ao recreio”, referiu Bruno Pereira, presidente do clube.

Reconquista sabe também que a apresentação pública oficial deste mega festival deverá ser agendada para dentro de algumas semanas, numa data mais próxima à sua realização, estando prevista a realização de uma conferência de imprensa com o promotor, Hugo Tabaco, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Joaquim Morão, e o presidente do CDA, Bruno Pereira.

Por: José Júlio Cruz


Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=163&id=11387&idSeccao=1609&Action=noticia

Alcains na rota de DJs mundiais

Mega festival em preparação 

Hugo Tabaco (ao centro) com os dois DJ´s
Hugo Tabaco (ao centro) com os dois DJ´s

Yves Larock e Bob Sinclar estão em vias de actuar em Alcains em Abril deste ano. A organização do evento está a ser levada por diante com entusiasmo.

Os DJs mundialmente famosos Yves Larock e Bob Sinclar podem vir a actuar em Alcains por alturas da Páscoa deste ano. De acordo com o que Reconquista acaba de apurar, em preparação está a realização de um mega festival naquela vila dedicado à juventude desta região, mas que a realizar-se atrairá gente de todo o país, dado o interesse que suscitam as festas onde estes dois famosos artistas participam.

A ideia surgiu por parte do alcainense Hugo Tabaco, actualmente promotor da estilista Fátima Lopes, e que durante os últimos anos tem sido o relações públicas da discoteca Kadoc, no Algarve. Os contactos mantidos com ambas as figuras de renome internacional e respectivos agentes e representantes fizeram-no acreditar nesta possibilidade e colocou mãos à obra. “Para a vila de Alcains seria excelente conseguir levar por diante esta iniciativa, na medida em que seriam certamente os dias mais animados do ano, tanto a nível de juventude como certamente do comércio local”, refere.

Para já, 11 e 12 de Abril são as datas que estão em cima da mesa para esta realização. “Trata-se de facto de uma festa de estrondo, com o melhor que há actualmente a este nível na actualidade internacional”, adianta Hugo Tabaco, que quer também inserir nesta iniciativa uma componente de ajuda ao clube local. A direcção do CDA já foi contactada e anuiu juntar-se ao evento com entusiasmo. O palco do mesmo será o Estádio Trigueiros de Aragão e uma parte da receita, ainda não especificada, seguirá para os cofres do clube.

De momento, Reconquista sabe que decorrem contactos a nível local para que a logística deste festival esteja à altura do acontecimento. Uma reunião com a Câmara Municipal de Castelo Branco deve acontecer dentro em breve, até porque a ideia da organização é conseguir reunir nessa altura do ano em Alcains para cima de dez mil pessoas. “Temos de articular muito bem o nosso trabalho com as autarquias porque queremos que toda a gente seja protagonista nesta festa, sobretudo a juventude a quem ela é claramente dedicada”, frisa Hugo Tabaco.

Também Bruno Pereira, presidente do CDA, está ao lado desta iniciativa. “Já abordámos o assunto em reunião de Direcção e fomos unânimes em considerar como excelente esta iniciativa, na medida em que ela poderá trazer alguns proveitos para o clube e se insere perfeitamente no nosso perfil de entidade dedicada ao desporto, à cultura e ao recreio”. Por outro lado, como acrescenta, “é também um evento que trará muita animação à vila e isso é essencial”. Sobre a logística organizativa, está convencido de que ela chegará a bom porto.

Por parte da Câmara de Castelo Branco o momento é de expectativa face a esta possibilidade. “Vemos com bons olhos esta ideia e guardamos com muito interesse conhecer a fundo este projecto para, depois, logicamente, nos podermos pronunciar com mais detalhe sobre o mesmo”, revelou ao Reconquista uma fonte da autarquia.


Por:
José Júlio Cruz

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=161&id=11083&idSeccao=1585&Action=noticia