domingo, 28 de junho de 2009

CDS defende convergência das pensões

O cabeça de lista do CDS/PP às Eleições Europeias, Nuno Melo falou quinta-feira, dia 28 de Maio, a um grupo de alunos da Universidade Sénior Albicastrense – USALBI sobre as preocupações que o Partido sente em relação às baixas reformas dos portugueses.
Defendendo que não quer votos a troco de “sacos de plástico, esferográficas ou de calendários”, mas sim, “porque é merecido”. E para merecer este voto, atendendo a que a plateia era maioritariamente sénior, Nuno Melo defendeu a convergência das pensões, algo que Bagão Félix, enquanto ministro da Segurança Social tentou implementar.
O cabeça de lista do CDS/PP lamenta que haja pessoas, “que descontaram uma vida inteira” a viver com um reforma de 220 ou 243 euros, enquanto os números do Rendimento Social de Inserção, anteriormente designado por Rendimento Mínimo, duplicou, em quatro anos, a sua dotação financeira no Orçamento de Estado.
Critica também algumas medidas que este Governo tomou, como a eliminação de comparticipação em alguns medicamentos, bem como a taxação de quem ganha 500 euros, isto “feito por um Estado que só comete excessos”.
Por outro lado, refere, “a taxa de desemprego também é a maior dos últimos 25 anos, sendo Portugal o país com maiores desigualdades da Europa, com muita gente no limiar da pobreza, sobretudo os idosos que usufruem de pensões mínimas”.
Mas além dos idosos, também “20 em cada 100 jovens estão desempregados”, defendendo que “é preciso incentivar a natalidade e é necessário ter mais jovens a trabalhar, para ajudarem os mais idosos, pois um estado democrático ajuda quem precisa”.
Nuno Melo reitera que “o CDS/PP não é contra o Rendimento Mínimo, mas sim contra a falta de fiscalização da atribuição do mesmo, provocando grandes injustiças, comparativamente com os que sempre trabalharam e fizeram os seus descontos e agora não têm uma reforma que lhes permita, pelo menos, viver condignamente”, acrescentando que “há muita gente a receber esse Rendimento Mínimo que precisa menos que os pensionistas”.
Os candidatos
Nesta sessão com Nuno Melo esteve também presente o cabeça de lista à Câmara Municipal de Castelo Branco pelo CDS/PP, Luís Paixão, mas também os candidatos à Câmara e Assembleia Municipal de Idanha-a-Nova, o advogado e professor Pedro Sousa e a jurista Marta Falcão.
Recorde-se que o CDS/PP também já avançou com João Gonçalves em Belmonte, Vítor Gabriel em Penamacor (aqui em coligação com o PSD) e Aires Patrício e Manuel Saraiva, à Câmara e Assembleia Municipal do Fundão.
Para já, o CDS/PP tem também o candidato mais jovem do distrito, João Freire Jerónimo, de 19 anos, que encabeça a lista à Junta de Freguesia de Póvoa de Rio de Moinhos.

Trinta nomeados para a gala do futebol

Os protagonistas estão distribuídos por dez categorias, às quais se juntam a de melhor árbitro (1º classificado do CA) e o Troféu Prestígio, para uma figura marcante.
São trinta os agentes desportivos nomeados para a primeira Gala do Futebol do distrito de Castelo Branco, que irá realizar-se a 20 de Junho, 19h30,na Herdade do Regato, Póvoa de Rio de Moinhos.
Os candidatos aos troféus de melhores intérpretes da temporada futebolística (futebol e futsal) estão distribuídos por dez de doze categorias. As duas restantes dizem respeito ao Troféu Prestígio, que irá distinguir uma figura grada para o futebol do distrito, a divulgar apenas no dia da Gala (tal como os vencedores das várias categorias), e ao melhor árbitro que, naturalmente, tratando-se de uma iniciativa da AFCB, vai distinguir o primeiro classificado da tabela do Conselho de Arbitragem, no caso Gonçalo Carreira.
A Gala do Futebol, um dos sete pontos fixados no projecto de intervenção da actual equipa dirigente da AFCB, tem na edição de estreia o patrocínio da Câmara de Castelo Branco. Oito órgãos de comunicação social do distrito, entre os quais o Reconquista, são parceiros activos do evento.
Carlos Almeida, presidente da Associação, considerou em Março, durante a apresentação pública da Gala, ser este “um espaço que até ao momento estava por preencher”, dado partir da instituição que superintende o futebol no distrito de Castelo Branco, para além de constituir “um momento de excelência” para entrega das taças aos campeões das provas que a AFCB promoveu ao longo da época.
Com a apresentação esta semana dos nomeados, cumpre-se mais um passo para a cerimónia do dia 20, um sábado. Lá estão aqueles que marcaram, claramente, pontos ao longo da temporada, sabendo o júri que “outros poderiam muito bem estar nomeados” e que uma iniciativa desta natureza, à semelhança do que acontece noutras áreas e ao nível nacional e internacional, nunca será geradora de consensos. Por isso, a estrutura organizativa desafiou um júri de oito elementos identificados com a área.
A Gala do Futebol tem, para a AFCB, um carácter motivador. Um veículo de combate “ao afastamento existente em relação ao associativismo”. Carlos Almeida espera que o certame possa incentivar o ressurgimento de emblemas e pessoas, contrariando uma tendência que de há uns anos a esta parte tem emagrecido, significativamente, os quadros competitivos, nomeadamente ao nível dos seniores.
Nomeados

Dirigente
- Aníbal Antunes (Estreito)
- José Mendes (Sp. Covilhã)
- Paulo Farinha (Sertanense)
Jogador sénior
(camp. nacionais)
- Bruno Xavier (Sertanense)
- Edgar (Sp. Covilhã)
- Miguel Vaz (BC Branco)
Jogador distrital
- Nuno Alves (Proença)
- Pira (Estreito)
- Quinzinho (Alcains)
Jogador de futsal
(camp. nacionais)
- Esteves (AD Fundão)
- Hugo Nunes (B. Esperança)
- Vinícius (AD Fundão)
Jogador de futsal
(camp. distritais)
- Cadete (CB Penamacor)
- Hélder Pinto (C. Formoso)
- Liléu (CB Penamacor)
Atleta da formação
(futebol e futsal)
- Adriano (Sp. Covilhã)
- André Caio (Desportivo)
- Dany (Retaxo)
Atleta feminino:
- Joana Santos (AD Fundão)
- Raquel Fernandes (Donas)
- Rute Duarte (AD Fundão)
Treinador futebol
(seniores)
- E. Húngaro (Sertanense)
- Hugo Andriaça (Alcains)
- Nuno Fonseca (BC Branco)
Treinador da formação
(futebol e futsal)
- Chico Lopes (Desportivo)
- José Agostinho (Sp. Covilhã)
- Ludovico Matos (Cortes do Meio)
Treinador de futsal
- Bruno Travassos (CB Penamacor)
- José Luís (AD Fundão)
- Joel Rocha (ADF feminino)
Melhor árbitro
Gonçalo Carreira (CA da AFC Branco)

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=183&id=14430&idSeccao=1881&Action=noticia

Castelo Branco e a sua economia agrícola


Por João Marinho dos Santos

Antes de apresentarmos uma caracterização da economia agrícola do concelho de Castelo Branco, em meados do século XVIII, teremos, obviamente, de falar, ainda, da Lardosa quanto ao então seu posicionamento administrativo. A freguesia mais a nordeste do actual concelho de Castelo Branco integrava o termo da vila de Castelo Novo.
Situada, também, em “vale” ou campina e vizinhando com Lousa, Escalos de Cima, Alcains, Póvoa de Rio de Moinhos e Louriçal do Campo, esta(va), portanto, plenamente integrada no “campo”. Tinha como anexa única um “monte”, mas demograficamente considerável (145 pessoas), contabilizando, então, a sede mais de meio milhar de indivíduos. Centeio, azeite e vinho eram os produtos principais, perfeitamente adequados, portanto, às culturas do “campo” da zona norte.
Tanto na zona do “campo” albicastrense, como na da “charneca”, os cereais (trigo, centeio e milho) continuavam a afirmar-se, no século XVIII, como produções dominantes, com relevo para o centeio. Claro está que a mancha territorial ocupada pelo “cereal pobre” não era homogénea, podendo e devendo assinalar-se que, no “campo” meridional, o trigo deveria suplantá-lo. Por sua vez, na zona central do “campo”, o equilíbrio entre os dois tipos de cereal já deveria ser maior. Por freguesias e numa intensidade decrescente, o trigo marcava presença nas de Monforte, Malpica, Mata, Escalos de Baixo e Escalos de Cima, Castelo Branco, Cafede e Salgueiro, ou seja, onde o habitat humano se mostrava mais concentrado, com explorações agrícolas de maiores dimensões e mais isoladas.
Reconheçam-se, no entanto, as fragilidades frequentes da cerealicultura, quer devido a maus anos agrícolas (ou por escassez de chuvas ou por abundância delas e, sobretudo, a destempo), quer pelo surgimento de pragas, como as terríveis nuvens de gafanhotos. Concretamente, pelos anos 30 e 40 do século XVII, valia aos habitantes do então concelho de Castelo Branco a pecuária, já que uma persistente praga de gafanhotos vinha destruindo as “novidades”. E, no ano de 1781, mais propriamente na sessão da câmara municipal de Castelo Branco que decorreu a 11 de Maio, foi lido um ofício do Intendente Diogo Inácio de Pina Manique com instruções para se evitar ou aniquilar a ameaça dos gafanhotos que já pairava sobre a raia de Espanha e estava a alastrar ao “campo” de Castelo Branco. Aliás, como mais adiante assinalaremos, a devoção à Senhora dos Altos Céus, na Lousa e suas redondezas, deveu-se, em grande parte, à eliminação miraculosa de uma terrível praga de gafanhotos.

O cultivo dos campos: um prazo da Ordem de Avis

Póvoa de Rio de Moinhos – ontem e hoje

No século XVIII, tal como hoje, existiam pequenos, médios e grandes proprietários agrícolas. Mas algumas famílias não cultivavam as terras, por diferentes motivos. Noutros casos, elas pertenciam a entidades não vocacionadas para a actividade agrícola: comendas, confrarias, conventos… Uns e outros arrendavam as suas terras, ou emprazavam-nas, como se dizia na época, a lavradores, a troco do foro, a renda de então.
Um dos grandes proprietários da Póvoa era a Ordem de Avis, que aqui detinha terras, desde os tempos medievais. Estas e as outras propriedades desta ordem no concelho de S. Vicente da Beira formavam uma comenda, dada a comendadores, da família dos Costas, grandes nobres que sempre ocuparam o cargo de armeiro-mor do Reino.
Um conjunto de propriedades da Póvoa, pertencentes a esta comenda de S. Vicente da Beira da Ordem de Avis, andava há várias gerações na posse da família Malha. Nessa época, os contratos eram por três vidas, podendo os foreiros transmitir a posse das terras emprazadas aos seus descendentes, por muitas gerações.
Em 1766, Catarina Brás, irmã do P.e Manuel Rodrigues Malha, o cura das Memórias Paroquiais, requereu à Ordem de Avis a renovação do prazo que trouxera seu irmão Dionísio Rodrigues Malha, o qual falecera solteiro e sem descendência.
Este prazo era formado por sete propriedades, cujos direitos de usufruto Dionísio Rodrigues Malha herdara de seu pai, Manuel Rodrigues Malha, de sua tia solteira, Brites Fernandes, e de Miguel Nunes.
É deste prazo que Catarina Brás reivindica a posse, apesar de já deter um outro, possivelmente também da comenda de Avis, que herdara do seu tio Vicente Fernandes, como herdeira mais directa.
O prazo emprazado a Catarina Brás era formado pelas seguintes propriedades:
Meia sorte de terra na folha da Cabeça Carvalha, ao Vale do Sabugal: era terra sem árvores, com um curral, que produzia centeio e alguns feijões fradinhos; pagava de foro meio alqueire de trigo, três quartas de centeio e meia galinha.
Uma sorte na folha de Cea, no Porto Cozendo: semeava-se de centeio e tinha alguns carvalhos; pagava alqueire e quarta de trigo, três meios de centeio e uma galinha.
Outra sorte na folha de Cea, nas Várzeas: era terra pobre e cultivava-se de centeio; pagava alqueire e quarta de trigo, três meios de centeio e uma galinha.
Uma sorte na folha do Vale da Vinha, da parte dalém da ribeira: era terra sem árvores, muito pobre e fria; produzia centeio e pagava um alqueire de trigo, outro de centeio e uma galinha.
Uma sorte na folha do Vale da Vinha, ao Cabeço da Cerejeira: tudo eram cabeços, sem árvores algumas; produzia centeio e pagava meio alqueire de centeio, meio alqueire de trigo e uma galinha. Esta sorte e as anteriores só pagavam foro no ano da cultivação, que era de três em três anos. Nos outros anos, ficavam de restolho e de relva, para os gados. O foro correspondia a um oitavo da produção.
Uma terra na Horta do Salvado: tinha uma figueira e era terra muito fria e de cabeços e lajes pelo meio; produzia centeio e pagava, todos os anos, um alqueire e uma quarta de trigo.
Um quintal ao pé da Igreja da Póvoa: tinha duas figueiras e duas oliveiras, levava de semeadura uma quarta de centeio e pagava um alqueire de centeio, todos os anos.
Catarina Brás pagava o foro ao prioste, «…por dia de Nossa Senhora de Agosto. E o trigo e centeio há-de ser bom e de receber, limpo de pá e vassoura, do melhor que derem as terras do dito prazo…». O prioste era quem, localmente, arrecadava as rendas devidas à comenda de Avis.
Em próximo artigo, abordaremos a questão da propriedade comum e privada dos espaços agrícolas.

(ANTT, Ordem de Avis, A Catharina Bras, carta de emprazamento em vidas, livro 42, fólios 144 a 159)

José Teodoro Prata