domingo, 19 de julho de 2009

Os maneios: ervagens e gados

Em artigo anterior, afirmámos que, na segunda metade do século XVIII, o povo da Póvoa continuava a dispor de terrenos baldios onde apascentar os seus gados, apesar do crescente individualismo agrário.
A documentação que consultámos, autos de arrematações (1) e autos de vereações camarárias (2), permite-nos identificar, na Póvoa, as seguintes ervagens: Boqueirões, ervagem da Abelheira, Coutada, ervagem da Lameira do Salgueiro, Navedeguas (Nave de Éguas, actualmente chamada Navedegas), ervagem das Regateiras, ervagem do Tiracalça, ervagem do Vale do Coelheiro, ervagem do Vale da Vinha e ervagem das Várzeas, entre outras.
A arrematação das ervagens era uma importante fonte de receitas. Em Agosto de 1776, a Câmara arrematou um bocado da Coutada, o couto da Fonte Ferreira, para pagar as ordinárias, imposto que o concelho tinha de pagar anualmente. A pastagem foi vendida para o período de S. Miguel até 12 de Março do ano seguinte.
No ano de 1768, em Abril, foram vendidas as pastagens das ervagens da Abelheira, das Regateiras e das Várzeas. No ano seguinte, as da Abelheira, das Regateiras, do Vale do Coelheiro e do Vale da Vinha. Em 1770, sempre na Primavera, arremataram-se as da Lameira do Salgueiro, do Tiracalça e do Vale do Coelheiro.
As informações dos dois parágrafos anteriores permitem-nos tirar algumas conclusões, suportadas ainda pelo que sabemos ter sido prática habitual nas ervagens do vizinho concelho de S. Vicente da Beira, nomeadamente na ervagem das Chiolicas.
As ervagens eram semeadas de pão cada três anos, ficando no ano seguinte de restolho e no outro de relva. Tanto os proprietários como os camponeses sem terra, os seareiros, aproveitavam estas terras para produzir centeio. Estes só usufruíam da terra entre a alqueivação e a ceifa. Finda esta, a ervagem voltava à propriedade comum dos vizinhos.
Estes eram livres de apascentar ali os seus gados, mas em algumas, por certos períodos, esse direito era exclusivo de quem arrematasse as pastagens à Câmara. Por exemplo, a ervagens da Abelheira e das Regateiras foram arrematadas, em 1768 e 1769, o que significa que o ano de 1770 foi o da cultivação. Por outro lado, as pastagens das ervagens da Lameira do Salgueiro e do Tiracalça só foram vendidas em 1770, tendo sido alqueivadas num dos anos anteriores e no outro ficaram como pastagens livres para os gados do concelho. Há ainda ervagens que nunca parecem arrematadas, o que significa que eram usadas livremente.
Os criadores de gado que arrematavam as ervagens podiam ser da Póvoa ou de fora. A arrematação era feita na praça e ficava com a ervagem quem desse mais. Além dos criadores da Póvoa, compraram pastagens, nestes três anos referidos, João Duarte Ribeiro do Casal da Serra, mas com raízes em Tinalhas e no Freixial, Manuel Henrique Neto de Tinalhas e Manuel Simão Barrigudo de Alcains.
Por vezes, os criadores associavam-se para comprar e aproveitar a pastagem. Assim aconteceu, em 1769, com a viúva Maria de Sousa que, com mais companheiros, arrematou a ervagem do Vale da Vinha, por sessenta mil e oitocentos réis.
Anualmente, todos os criadores de gado declaravam à Câmara o número de ovelhas que possuíam e a quantidade de lã produzida. Eram os chamados manifestos dos gados, para o conhecimento do «…juízo dos lanifícios da superintendência da vila da Covilhã.»
Neste ano de 1776, havia 10 rebanhos de ovinos na Póvoa, sendo um de dois criadores. O maior rebanho era o de Domingos Martins Cabaços, com 240 animais, e havia dois apenas com 60 ovelhas. Existiam um total de 1.165 ovinos (590 de lã branca e 575 de lã preta), que produziram 59 arrobas de lã branca e 57,5 arrobas de lã preta. Quase toda esta lã era obrigatoriamente vendida à fábrica da Covilhã, ficando cada família apenas com uma quantidade mínima, mas suficiente, para confeccionar a roupa e os agasalhos domésticos.
(1) ADCB, Câmara Municipal da Póvoa de Rio de Moinhos, Vereações, livro 1775-1777, caixa 1.
(2) ADCB, Câmara Municipal da Póvoa de Rio de Moinhos, Arrematações, livro 1767-1772, caixa 2.
José Teodoro Prata

Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=186&id=14897&idSeccao=1925&Action=noticia

A economia local no século XVIII

(...)
Enquanto o trigo e o centeio marcavam presença, com maior ou menor intensidade, um pouco por todo o território que hoje integra o concelho albicastrense, já os milhos (com destaque para o “grosso” ou “maiz”) impunham-se nas freguesias de Castelo Branco, Alcains, Cafede, Escalos de Baixo e de Cima, Louriçal, Póvoa de Rio de Moinhos, Salgueiro, Sobral do Campo, Almaceda e Sarzedas, ou seja, em espaços onde a rede hidrográfica (com as suas margens cultiváveis) mais se adensava.
(...)

domingo, 28 de junho de 2009

O cultivo dos campos: folhas e ervagens

Póvoa de Rio de Moinhos - ontem e hoje

Em trabalho anterior, apresentámos a carta de emprazamento de um prazo da Ordem de Avis a Catarina Brás. Nele se referiam as folhas da Cabeça Carvalha, de Cea e do Vale da Vinha.
Ribeiro Sanches, no ano de 1777, na saudade da sua velhice parisiense, recordava a infância em Penamacor, cerca de 1700. Em “algumas causas da perda da agricultura de Portugal depois do ano de 1640”, define, em nota, o que eram as folhas: «…é aquele terreno que a Câmara da Vila determina para se lavrar, e cultivar naquele ano, deixando em relva o restante do termo para pastos dos animais. Por esta Economia Camaral, ficam todos os anos duas ou três partes das terras lavradas do Reino para pastos e uma ou duas partes para sustento dos Habitantes.»
Na Póvoa, o documento em estudo permite-nos concluir que as antigas folhas comunais já tinham passado, pelo menos em parte, para a posse de particulares, neste ano de 1766. No entanto, mantinham a designação de folhas e a prática do seu cultivo, com cereais, apenas de três em três anos.
As três folhas em causa situavam-se longe da vila, nas margens da Ocreza, na zona da actual barragem de Santa Águeda e imediatamente a jusante dela. Além destas, na margem esquerda da ribeira era a folha da Lardosa e na margem direita, um pouco mais acima, situava-se a folha das Chiolicas, actualmente chamada Cholcas, já no concelho de S. Vicente da Beira. Se a estas acrescentarmos a ervagem da Anta, a montante da actual barragem, que também se cultivava de cereais cada três anos, podemos concluir que todo o campo do vale da Ocreza, desde as proximidades do Louriçal até ao fundo do Vale da Vinha, fora desde tempos antigos terra baldia, que as autoridades arrematavam a particulares, proprietários ou seareiros, para o cultivo de cereais, principalmente de centeio, de três em três anos, ficando nos outros anos de restolhos e de relvas para os gados, em pastagem livre ou arrematada a criadores de gado.
Neste caso concreto, pelo menos parte destes baldios andavam na posse da Ordem de Avis. Este facto não contradiz o afirmado anteriormente, uma vez que originalmente a Póvoa foi pertença desta ordem, dela tendo recebido autonomia administrativa.
Como vimos, no século XVIII, a propriedade comum das folhas já evoluíra para propriedade particular. Outra marca do crescente individualismo agrário era a vedação das propriedades particulares com paredes, as chamadas tapadas. Elas já existiam na Horta do Salvado e junto à povoação, permanecendo ainda abertos os campos e pastagens das margens da Ocreza.
No dia 2 de Janeiro de 1777, fez-se o auto de vistoria de uma tapada de António Marques Carolo o velho, a fim de verificar se a vedação da propriedade com paredes prejudicava os interesses da população. A Câmara estava representada por um juiz ordinário, pelos dois vereadores e pelo procurador do concelho. Os interesses do povo foram defendidos pelo procurador do povo e oito pessoas da governança. A tapada foi autorizada, por não dar «…prejuízo a pessoa alguma, nem ao bem comum do Povo.»
Mas o povo continuava a deter alguns espaços baldios, geridos pela Câmara. Em próximo artigo, ocupar-nos-emos destas ervagens e da sua utilização pelos criadores de gado da Póvoa.
José Teodoro Prata

CDS defende convergência das pensões

O cabeça de lista do CDS/PP às Eleições Europeias, Nuno Melo falou quinta-feira, dia 28 de Maio, a um grupo de alunos da Universidade Sénior Albicastrense – USALBI sobre as preocupações que o Partido sente em relação às baixas reformas dos portugueses.
Defendendo que não quer votos a troco de “sacos de plástico, esferográficas ou de calendários”, mas sim, “porque é merecido”. E para merecer este voto, atendendo a que a plateia era maioritariamente sénior, Nuno Melo defendeu a convergência das pensões, algo que Bagão Félix, enquanto ministro da Segurança Social tentou implementar.
O cabeça de lista do CDS/PP lamenta que haja pessoas, “que descontaram uma vida inteira” a viver com um reforma de 220 ou 243 euros, enquanto os números do Rendimento Social de Inserção, anteriormente designado por Rendimento Mínimo, duplicou, em quatro anos, a sua dotação financeira no Orçamento de Estado.
Critica também algumas medidas que este Governo tomou, como a eliminação de comparticipação em alguns medicamentos, bem como a taxação de quem ganha 500 euros, isto “feito por um Estado que só comete excessos”.
Por outro lado, refere, “a taxa de desemprego também é a maior dos últimos 25 anos, sendo Portugal o país com maiores desigualdades da Europa, com muita gente no limiar da pobreza, sobretudo os idosos que usufruem de pensões mínimas”.
Mas além dos idosos, também “20 em cada 100 jovens estão desempregados”, defendendo que “é preciso incentivar a natalidade e é necessário ter mais jovens a trabalhar, para ajudarem os mais idosos, pois um estado democrático ajuda quem precisa”.
Nuno Melo reitera que “o CDS/PP não é contra o Rendimento Mínimo, mas sim contra a falta de fiscalização da atribuição do mesmo, provocando grandes injustiças, comparativamente com os que sempre trabalharam e fizeram os seus descontos e agora não têm uma reforma que lhes permita, pelo menos, viver condignamente”, acrescentando que “há muita gente a receber esse Rendimento Mínimo que precisa menos que os pensionistas”.
Os candidatos
Nesta sessão com Nuno Melo esteve também presente o cabeça de lista à Câmara Municipal de Castelo Branco pelo CDS/PP, Luís Paixão, mas também os candidatos à Câmara e Assembleia Municipal de Idanha-a-Nova, o advogado e professor Pedro Sousa e a jurista Marta Falcão.
Recorde-se que o CDS/PP também já avançou com João Gonçalves em Belmonte, Vítor Gabriel em Penamacor (aqui em coligação com o PSD) e Aires Patrício e Manuel Saraiva, à Câmara e Assembleia Municipal do Fundão.
Para já, o CDS/PP tem também o candidato mais jovem do distrito, João Freire Jerónimo, de 19 anos, que encabeça a lista à Junta de Freguesia de Póvoa de Rio de Moinhos.