quarta-feira, 23 de junho de 2010
Informática para todos
Esta acção foi realizada pela FDTI – Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação em colaboração com a autarquia local. A Junta de Freguesia da Póvoa de Rio de Moinhos tem já agendadas outras formações, na área da informática, tais como ATL – Sénior para jovens maiores de 50 anos que decorre durante o dia e Photoshop que se iniciará do dia 17 de Maio, em horário pós laboral. Para mais informações e inscrições os interessados podem contactar a Junta de Freguesia.
Fonte: Jornal Reconquista - Terras - Informática para todos em Póvoa de Rio de Moinhos
Póvoa retoma festejos de Santa Águeda
A freguesia de Póvoa de Rio de Moinhos vai estar animada entre 9 e 12 de Junho, com os festejos em honra de Santa Águeda.
Depois de um interregno, regressa esta festa realizada pelos jovens que foram à inspecção, em Fevereiro passado, ajudados pelas raparigas do mesmo ano de nascença.
“Hoje em dia é cada vez mais difícil levar a cabo esta iniciativa, uma vez que a maior parte dos jovens já se encontram fora, a estudar, e esta é uma altura complicada de testes e frequências”, como reconhece a presidente da Junta, Lucinda Martins.
Mas, este ano os jovens quiseram retomar a festa, com os pais na retaguarda.
Aqui não faltam os tradicionais tabuleiros, que na Póvoa constam de carne, vinho, bolos, pão, fruta e chouriço. Os tabuleiros são transportados durante a procissão enquanto a imagem da Santa e a bandeira é levada pelos jovens da comissão.
Para este ano foi preparado um programa que começa na quarta-feira, dia 9, a partir das 17H00. Nessa noite está marcada a actuação de Filipe Nunes, “O Arraiano”, a partir das 21H30. Na quinta-feira, decorre a missa, em honra de Santa Águeda, pelas 12H00, seguida da procissão acompanhada pela Banda Filarmónica de Tinalhas. Às 18H00 decorre o terço, que se realiza também na sexta, à mesma hora.
À noite, a partir das 21H00 actua Manuel Emídio e a partir das 2H00 sobe ao palco o grupo “A way to desapear”.
No dia 11, sexta-feira a noite é animada pelo grupo “Oásis” e no sábado pelo “Kompanhia”. Nesta noite, pelas 23H00 decorre o leilão e logo depois serão sorteados os prémios das rifas e entregues os prémios da Prova de Derrube que se realiza no dia 9.
No sábado de manhã está agendado, ainda, um percurso pedestre pela Barragem de Santa Águeda, com almoço. A concentração é às 9H00, junto à Capela. Esta actividade decorre com o apoio das Associações Outrém e de Rádio Amadores da Beira Baixa.
Fonte : http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=234&id=21523&idSeccao=2561&Action=noticia
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Casamento, números e costumes
O último artigo publicado sobre a Póvoa de Rio de Moinhos deu conta de um projecto que está em desenvolvimento e que utiliza preferencialmente registos paroquiais*. Com os dados apurados já se apresentaram conclusões interessantes a partir das informações coligidas pelos párocos nos actos de baptismo (Luís Duque Vieira) e de óbitos (Vitor Carvalho). Hoje apresentamos uma outra variável demográfica, o casamento – o acto jurídico pelo qual se forma um novo núcleo familiar.
O arquivo distrital guarda registos paroquiais de mais de 700 casamentos celebrados na Póvoa em cerca de 130 anos, 1773-1905. No início, entre 1773 e 1800, foram realizados 132 casamentos, sendo 102 de indivíduos solteiros, 116 de solteiras, 24 de viúvos e 21 de viúvas. Por estes dados verificamos que era elevado o número de segundos casamentos o que se explica pelo suporte material que a família então representava e a necessidade de manter um círculo familiar onde se criassem os filhos que tinham ficado órfãos.
Os meses do ano mais escolhidos para casar foram aqueles em que não havia tanto trabalho agrícola a exigir o trabalho das famílias e, assim, encontramos os meses de Inverno e a Primavera como os mais preenchidos.
Um outro aspecto a salientar é o das terras de naturalidade dos noivos. Maioritariamente casaram-se com pessoas da terra ou de pequena distância. Nestes tempos mais antigos, final do século XVIII, encontramos noivos e testemunhas originários de diversas freguesias do actual concelho de Castelo Branco, alguns de outros concelhos do actual distrito e ainda dos distritos da Guarda e de Portalegre. Significa isto que as relações sociais dos habitantes da Póvoa se estabeleciam de preferência nas regiões do interior do país já que as vias de comunicação para o litoral ofereciam maiores dificuldades.
No século XIX, nas seis primeiras décadas, não se alteram significativamente os dados referentes ao casamento: os inícios do Outono e o Verão são os menos apetecíveis para as celebrações, continua elevado o número de segundas núpcias, pouco se alarga o âmbito geográfico dos nubentes e permanece a ausência de alianças com citadinos.
Depois desta data passa a haver dados relativos à idade dos noivos. Nuns e noutros, homens e mulheres, os casamentos realizaram-se maioritariamente entre indivíduos na classe de idades dos 21 aos 25 anos. A excepção é nos anos de 1860/69 em que a idade sobe para os 26-30 anos. Também neste período de quase meio século, 6 rapazes de 20 anos, menores, tiveram autorização expressa dos pais para se casarem e celebrou-se o casamento de uma rapariga com 15 anos de idade.
Igualmente passamos a dispor da indicação das profissões dos noivos e das testemunhas. Nos primeiros predominam os jornaleiros, seguidos de perto pelos criados de servir e pelos cultivadores. Moleiros e pastores são também em grande número (25 e 29 respectivamente), sendo reduzido o número de homens dos ofícios. Do lado das noivas a referência é maioritariamente “serviço doméstico”, um número pequeno de “ocupada no serviço agrícola” (11) e costureiras (7). Do lado das testemunhas, a enorme distância, surgem os proprietários (mais de 170); moleiros (mais de cinquenta) e pastores (mais de 40) dão bem a imagem da importância social atribuída a estas profissões.
A análise dos números deixa-nos algumas interrogações que no futuro tentaremos esclarecer: qual a razão da diminuição abrupta de casamentos na década de 1860 e quais as razões de um aumento significativo de matrimónios – detectados numa pesquisa direccionada para anos de instabilidade político-militar – nos anos de 1808, 1809, 1812 e 1846.
A estes elementos numéricos juntamos algumas informações sobre os costumes que acompanhavam a festa até aos anos 70 do século XX. Mantinha-se a preferência pelo casamento no Inverno e na Primavera, não havia despedida de solteiro mas era frequente o noivo oferecer uns copos de vinho aos amigos. O noivo ia buscar a noiva a casa e acompanhava-a e aos seus convidados. Quando se queria distinguir os noivos atapetava-se a rua com verdura e as raparigas levantavam à entrada da igreja arcos enfeitados com flores e cordões de ouro. A festa rija durava todo o dia consistindo as refeições em doces caseiros e pratos de cabrito e de borrego cozinhados de diversas maneiras. Terminada a boda os noivos permaneciam na aldeia gozando agora de um novo estatuto.
Luis Duque vieira
* Quaisquer dados referentes a pessoas nascidas na Póvoa após 1905 poderão ser enviados, por mail para vmpcar[arroba]gmail[ponto]com ou lourval[arroba]hotmail[ponto]com, ou ser entregues, directamente, a Luis Duque Vieira ou Vitor Carvalho na Póvoa de Rio de Moinhos.
Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=224&id=19937&idSeccao=2422&Action=noticia
sexta-feira, 12 de março de 2010
Genealogia e demografia, um projecto a desenvolver
Quando está prestes a terminar a série de artigos sobre a Póvoa – Ontem e Hoje, traz-se a público um projecto que tem sido desenvolvido paralelamente por um pequeno grupo de três pessoas que, embora dispersas por Portugal e pelo Brasil, se orgulham das suas ligações familiares com a Póvoa de Rio de Moinhos. Embora exista a intenção de vir a publicar autonomamente os resultados do trabalho em curso, entende-se, apresentar, desde já e de forma sucinta, o que se fez e o que se visa.
Como já referido em artigo anterior, um dos elementos do grupo, procedeu ao levantamento sistemático dos registos paroquiais da Póvoa de Rio de Moinhos, existentes no Arquivo Distrital de Castelo Branco (cerca de 1800 registos de baptismo, 800 de casamento e 2.500 de óbito).
Agora, os outros dois elementos Iniciaram o levantamento dos registos existentes na Torre do Tombo em Lisboa, no período decorrido entre 1560 (inicio do registo) e 1771 (casamentos e óbitos) e 1844 (baptismos), pretendendo-se completar o levantamento de todos os registos existentes entre 1560 e 1905. Para o período posterior, dado que os registos não estão disponíveis, restará o recurso a fontes alternativas, ou á memória das pessoas que o viveram *.
A informação recolhida possibilitará um estudo demográfico global da Póvoa e o conhecimento profundo de como aí se viveu, ao longo dos tempos. Entre muitos outros aspectos será possível saber com que idade se casava, quantas crianças nasciam, número médio de filhos por casal, quantos anos se vivia, nomes mais usuais, etc. Outro aliciante, consiste na possibilidade de apurar a árvore genealógica de qualquer família da Póvoa, ficando-se a saber quem foram os seus antepassados, eventualmente desde o século XVI, desde que se conheçam os que nasceram após 1905.
Embora, o levantamento dos registos existentes na Torre do Tombo ainda esteja em curso, prevendo-se que leve alguns meses a completar, o que só permite retirar conclusões válidas para o período integralmente levantado (1811-1905), é possível, no entanto, proceder a um ponto de situação quanto ao trabalho já efectuado.
Nesta altura, estão referenciados como tendo, comprovadamente, nascido na Póvoa, 7.619 indivíduos, dos quais, 3.879 raparigas e 3.703 rapazes, não sendo possível apurar o sexo de 37 indivíduos falecidos à nascença ou com registo ilegível. O indivíduo mais antigo referenciado, terá nascido por volta de 1520, embora o primeiro baptismo registado tenha sido o de um António, em 17 de Dezembro de 1560.
Desde 1530, os nomes femininos mais utilizados foram: Maria (1.567), Isabel (301), Catarina (293), Ana (212), Joaquina (180), Joana (159), Josefa (77), Leonor (73), Domingas (72), e Clara (64). Os masculinos: Manuel (830), José (397), António (333), Francisco (276), João (256), Domingos (256), Joaquim (177), Pedro (149), Alexandre (72) e Luciano (60).
Mas os nomes foram evoluindo como as modas. Se no século XVI o mais vulgar era chamar às raparigas Maria ou Isabel e, aos rapazes, Manuel ou António, também se usavam nomes como Gaspar, Lopo, Martim, Águeda, Brites, Bento, Mécia, Antão, Pascoal, Valeriana ou Simoa. Foi preciso esperar, pelo século XVII, para aparecerem as primeiras crianças de nome José, João, Joaquim, Joana, Clara ou Antónia e, pelo XVIII, para as de nome Joaquina, Josefa, Alexandre, Bernardo, Vitória ou Luísa. No século XIX, surgiram, pela primeira vez, os nomes Luciano, Hermínia, Carolina, Duarte, Cândida e Dâmaso.
No período 1812-1905, do qual já se podem retirar conclusões válidas, salienta-se um primeiro aspecto que pode ser abordado com certeza. A terrível mortalidade infantil que, à semelhança do que acontecia em todo o país, flagelou a Póvoa, até há muito poucos anos.
Refira-se, para enquadrar o problema ao nível do país, que a situação ainda no fim deste período, não era muito mais favorável, bastando recordar o afirmado no Parlamento, a 3 de Junho de 1908, pelo então deputado António José de Almeida, futuro Presidente da República: “Em cada 1.000 sepulturas abertas, em 1904, nos cemitérios de Lisboa, 326 foram para crianças e é sabido que a quinta parte dos portugueses que morrem por ano são crianças nos primeiros 12 meses de vida (...)”.
Na Póvoa, neste período, em média e por ano, registou-se o nascimento de cerca de 30 crianças e cerca de 15 óbitos. Destes, cerca de 62% foram de crianças até aos 10 anos de idade e cerca de 44% até aos 2 anos.
Dos 95 anos analisados, em 68, a mortalidade de crianças até 10 anos representou 50% ou mais dos óbitos verificados, salientando-se, a título de exemplo, os anos de 1818 (7 crianças em 7 óbitos), 1819 (11 em 12), 1820 (18 em 22), 1861 (5 crianças em 5 óbitos), 1875 (32 em 37), 1879 (13 em 14), 1881 (21 em 24), 1882 (18 em 22 ) e 1904 (18 em 22).
Ao nível dos casais que mais terão sofrido o impacto desta mortalidade infantil tão exagerada, salientem-se, entre tantos outros, os seguintes:
• Manuel Alexandre e Joana Duarte Beirão, casados em 1805, a quem faleceram 14 filhos, todos em tenra idade;
• Manuel Pinto Barata e Clara da Silva, casados em 1872, tendo falecido 10 dos seus 14 filhos, até aos quatro anos de idade;
• Dionísio dos Santos Saraiva e Inês Rosa, casados em 1813, que em idênticas circunstâncias perderam 10 de 13 filhos;
• Manuel Magro e Joaquina dos Passos, casados em 1874, que perderam todos os 8 filhos, falecendo a mãe aquando do parto do último;
• António José Mendes e Josefa Vaz que, entre 24/10/1808 e 21/12 do mesmo ano, perderam 4 filhos.
Vítor Carvalho, Luís Duque Vieira, Lourval Silva
* Quaisquer dados referentes a pessoas nascidas na Póvoa após 1905 poderão ser enviados, por mail para vmpcar [arroba] gmail.com ou lourval [arroba] hotmail.com, ou ser entregues pessoalmente aos signatários na Póvoa de Rio de Moinhos
Fonte: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=222&id=19664&idSeccao=2396&Action=noticia